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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de agosto de 2007 |
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A chuva que cai
constante e imparável deixa a turma do tênis triste. Encolhidos no recinto do
restaurante do clube, tomando umas e outras para diminuir o frio, observam as
quadras alagadas, brilhando em um marrom avermelhado contra o cinza ambiente. Alguns
tiram as luvas:
- Tenho que
conferir para ver se não estou desenvolvendo nadadeiras.
- Parece que
não. Mas já estás com pele de sapo.
As risadas são parcas.
As piadas antigas. As perspectivas quase nulas. Só resta mesmo a fofoca. Provocados
por uma maldade do Tanço:
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Tio Marciano - Dê atenção ao cliente e dê ETA |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de julho de 2007 |
Tio Marciano esbraveja
e anda em círculos. Os demais, tão irritados quanto, o seguem. Olham para o
mostrador que muda constantemente.
- Assim não é
possível.
- É o fim do mundo.
- Estão brincando
com a gente.
- É a terceira vez que
mudam o horário.
- E a quarta que
mudam o portão de embarque. - Já andei tanto nesse shuttle que leva de um
para outro que se andasse em linha reta já tinha chegado ao destino do vôo.
- Bah. Gurizada,
rápido.
- Agora diz que é a
ultima chamada.
- Graças a Deus.
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Tio Marciano - Criatividade |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de junho de 2007 |
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Na tela da
televisão do clube brilhava a cancha de tênis verde e laranja e os dois
superastros corriam a devolver a bola para um e outro lado. A galera que
estivera vagando entre a dúvida e a expectativa aceita o espetáculo e os
elogios espoucam.
- Esse pessoal de
marketing é muito criativo.
- Que idéia
interessante.
- E desafiante.
- Os tenistas têm que
mudar de calçado em cada mudança de lado.
- É. Não é mole correr
na grama com o solado liso que se usa nas canchas de saibro.
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Tio Marciano - Fidel, etanol e os trouxas |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de maio de 2007 |
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A moda do biodiesel e
do etanol segue firme. Não há espaço para mais nada nos noticiários locais e,
quase que por via de conseqüência, nas conversas do clube.
- ... esse Fidel
Castro é mesmo um otário.
Vindo de qualquer
componente do grupo representante das facções “trouxas”, “distraídos”,
“desinformados”, “ferrenhos anti-comunistas” ou “babacas agressivos”, o
comentário não suscitaria nenhuma surpresa. Mas, a agressiva frase era do
Doutor. O mais racional, adequado e respeitado dos participantes do tênis
do clube. Sempre sério, circunspecto e equilibrado. As facções, sob o
comando do Tanço, vibram e apoiaram.
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Tio Marciano - Unanimidade |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de abril de 2007 |
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Frente ao aparelho de
televisão na sala de jogos do clube, os presentes assistem aos pronunciamentos
dos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Quando termina a arenga do
Bush, o otimismo explode. O pessoal só volta a ser contido para
que se escutem os comentários entusiasmados dos comentaristas televisivos, que
repetem incansavelmente os conceitos do oba-oba oficial.
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Tio Marciano - O Doutor e os chatos |
|
Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de março de 2007 |
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Entre os amigos mais
chegados do Tio Marciano está o Doutor, seu companheiro desde a juventude. Apesar
de médico famoso, hoje até nome de rua em sua cidade natal, no clube ele é
apenas o Doutor. Homem racional e ponderado, o doutor raramente eleva a voz. Nem
precisa. Quando faz menção de falar, todos se calam para ouvir sua opinião
abalizada e adequada sobre todo e qualquer assunto. Paciente e paciencioso, o
Doutor em muito poucas ocasiões se permitiu uma explosão emocional. Por raras,
tais explosões são também temidas. Sempre circunspecto e ponderado, o Doutor é
inimigo de atitudes escandalosas, de manifestações ruidosas e de arroubos
inconvenientes. Por isso, o Doutor sofre enormemente na atual circunstância de
início de ano e de governo. Ele não consegue suportar as manifestações, segundo
ele, despropositadas dos, conforme sua definição, pobres de espírito. No
conceito em tela se alinham os que soltam foguetes a partir das sete horas da
noite de réveillon, os que aplaudem com gritos e olas as decisões de
juízes de concursos de cães, os que bajulam e ululam os discursos
presidenciais e principalmente os parlamentares que festejam como vitórias
esportivas a simples escolha do presidente dos trabalhos da Câmara.
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