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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de fevereiro de 2007 |
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- Estou achando que este ano não vai ser bom para ninguém.
- Pois eu acho que estás enganado. Pelo menos...
Os irritantes estrondos de bombas e foguetes fazem com que o Doutor se cale. Todos os demais deixam passar a sensação desagradável do ruído ensurdecedor antes de retomar o diálogo. Mas a cada intento novos fogos saúdam o novo ano. Todos tomam champagne. “Silentes”, como escreveria algum dos poetas do início do século passado para rimar com, quem sabe,...”dolentes”. Quase todos vestem vermelho, a cor do Orixá, exigida para o Réveillon de 2007. Os colorados naturalmente mais à vontade, agrandados pelo campeonato do mundo, do que os gremistas. Estes só aceitam o odiado escarlate por respeito ao protocolo da superstição, ou melhor, da “religiosa prudência”.
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Tio Marciano - É tudo questão de fase |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de janeiro de 2007 |
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- A coisa está osca.
- É uma injustiça.
- Tem uns caras que têm toda a sorte do mundo.
- Quando bate a miudinha não tem jeito.
- Tudo sai errado.
- Para sentar o cara se descadera.
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de dezembro de 2006 |
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- Que barbaridade.
Tio Marciano soqueia com raiva a mesa do bar do aeroporto sacudindo os copos de chopp e os pastéis. Cinco horas de espera enchem definitivamente suas medidas. A traseira dói, a coluna dói, e a desimportância que os funcionários das linhas aéreas lhe dedicam o desmoraliza. Num inusitado reconhecimento de sua idade ele explode.
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de novembro de 2006 |
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- Pai, olha só.
- Um minutinho, querida. Não sou teu pai e não vou conseguir ver nada pelo telefone.
Tio Marciano atendera o celular de um dos companheiros que estava na cancha jogando. A segunda parte da contestação era uma gozação em função da tradicional forma dos jovens porto-alegrenses iniciarem uma frase: “olha só”. Espera que o pai da jovem venha atender ao telefone e dá seqüência à discussão que já tinha se instalado.
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Tio Marciano - Punições e resultados |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de outubro de 2006 |
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Nas dependências cobertas do clube, que incluem o bar e o restaurante, Tio Marciano comenta que o inverno gaúcho está como sempre deve ser. Um frio do cão. Permeado por dias de sol brilhante, tão brilhante que os olhos doem. Ou por dias chuvosos e ventosos, que é para mostrar a cara feia dos deuses do pampa. Ou por manhãs de geada para restabelecer a crença em Deus - se ele não existisse, como sobreviveríamos? Os demais componentes do grupo esfregam as mãos, esquentam os cálices de conhaque e sorriem com paciência. Um deles até arrisca:
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Tio Marciano - Entre um peso e outro |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de setembro de 2006 |
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- Se ele deixar essas peças caírem de novo eu vou descer e dar-lhe uma porrada.
A frase do Tio Marciano é dita com voz entrecortada pela irritação e por estar ele ofegante do exercício na esteira, onde faz sua caminhada diária de cinco quilômetros. Na esteira ao lado, o galego Ruano igualmente ofegante resmunga:
- Se vais parar, aproveita e baixa o volume da televisão que esses...(como sempre a qualificação dos “esses” é impublicável) mantêm nesta altura insuportável.
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