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Tio Marciano - O homem e suas circunstâncias |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de agosto de 2005 |
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Tio Marciano após voltar da Europa tem estado um tanto sorumbático. Muito preocupado. Encerra-se em seu escritório com quilos de jornais e revistas do tempo em que esteve fora. Internet e televisão ligados. Quando sai, não fala com ninguém e não se interessa por nada. Não joga mais tênis. Não joga mais canastra. Não bebe. Não acendeu nenhum dos charutos que o filho lhe trouxe de Cuba. Não participou de dois ou três churrascos dos amigos. Tia Gema diz que ele acorda, se barbeia, toma café e se encerra no que ele diz "mundo real possível". Não fala com mais ninguém. Não opina. Não se indigna. Outro dia pareceu despertar. Acompanhou a goleada sobre a Argentina e vibrou muito. A sessão foi na churrasqueira da casa do Galego, com a presença de todos os amigos. E ele disse:
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Carta do Tio Marciano: Londres, 2W / BW** |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de julho de 2005 |
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Querido sobrinho:
Nossa viagem à Europa está fantástica. Portugal está todo em obras. Novas estradas, construções para todos os lados. Os garçons e garçonetes são, quase todos, jovens brasileiros. Uma quantidade impensável de africanos e indianos pelas ruas. Mas o bacalhau e o vinho continuam ótimos.
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de junho de 2005 |
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O frio que começa a se insinuar nas noites gaúchas faz com que a turma, após os confrontos tenísticos e o banho, se recolha à parte interna do restaurante do clube para a reposição da cerveja despendida no esporte. Aos poucos, o restaurante vai se enchendo com os que vão chegando ainda fumegantes do banheiro. Tio Marciano e Ruano já estão instalados na posição de honra.
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de maio de 2005 |
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Depois da história publicada na revista anterior, já choveu no Rio Grande, o lago já encheu um pouco, a água já voltou ao gosto normal (não tão ruim quanto), mas Tio Marciano segue em maré de suicídio.
- Vê se não é para estar? É só barbaridade.
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Tio Marciano - O lago e o 1º de abril |
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de abril de 2005 |
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Sentados às margens do lago Guaíba (Tio Marciano insiste em chamar de rio, como todos faziam até o ano passado quando a imprensa se adaptou à precisão semântico-geográfica) os velhos componentes do grupo de tenistas do clube assistem ao espetáculo do pôr-do-sol, como vêm fazendo ao longo dos últimos 50 ou 60 anos. Olham maravilhados as águas verdes e transparentes do rio, digo, do lago, e as pequenas ilhas, recentemente formadas, já cobertas por uma grama verde brilhante.
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Por Antônio Gregório Goidanich
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01 de março de 2005 |
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Para matar o tédio da Sala VIP de importante aeroporto europeu onde se encontram ancorados por culpa de vôos atrasados, Tio Marciano, após horas de leituras de magazines variados, em inglês, francês, alemão e italiano, tenta começar uma das costumeiras discussões com o Ruano e com o Doutor.
- Esses sindicalistas do setor de combustíveis do Brasil são umas bestas. Não tem noção do futuro.
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