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Assista ao vídeo do Sindicom com esclarecimentos sobre a sonegação fiscal no etanol.

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Desafios e reflexões

Neste ano completamos 30 anos da chegada de fato do etanol aos postos, apesar do Proálcool ser anterior a essa data. Para o setor produtivo, pode-se dizer que a chegada à maturidade vem envolta numa grave crise, com moratória branca de usinas, descapitalização de algumas unidades, concentração da produção, preços achatados e mercado externo ainda bastante fechado ao produto nacional. Já o etanol em si vive seu momento de esplendor, em meio ao sucesso dos carros flex e à explosão do consumo no mercado interno.

Não foi exagero quando o presidente da Petrobras afirmou que a gasolina é atualmente o combustível alternativo e que a tradicional nomenclatura de “postos de gasolina” poderia ser substituída por “postos de etanol”.

O sucesso do etanol é uma importante vitória para o país, que sai na dianteira enquanto o mundo ainda busca alternativas viáveis ao petróleo. Mas traz um desafio imenso para os revendedores e mesmo para os cofres públicos, já que o etanol possui uma carga tributária menor. Diante da costumaz ânsia fiscal do governo – não só deste atual, sejamos justos – não será de estranhar que no futuro o álcool perca parte dos seus privilégios tributários. A revenda, no entanto, não pode resolver seus problemas somente com uma canetada.

O álcool possui uma margem cerca de 20% menor que a da gasolina, representando um grande desafio adaptar a estrutura de custos fixos (aluguel, salários, energia etc) a uma participação cada vez maior de um produto com menor remuneração. Para se ter uma ideia, em 2000 o álcool representava apenas 9% das vendas de combustíveis nos postos, sendo que no ano passado esse percentual fechou em 21%, enquanto a gasolina passou de 45% para 40% no mesmo período.

Some-se a isso o fato do mercado irregular do álcool ainda ser bastante significativo, apesar dos avanços da fiscalização. Nossas estimativas apontam que quase 22% do álcool hidratado comercializado no ano passado era clandestino, ou seja, não passou pelos canais regulares de comercialização e chegou ao consumidor por um valor muito inferior ao de quem segue todas as regras. E o álcool clandestino não faz o revendedor honesto perder vendas apenas nesse combustível. Afinal, o lucro pode ser tão grande (só os impostos respondem por quase 26% do preço final do álcool) que o ilegal vende gasolina e diesel por preços muito próximos ao de custo.

Driblar esses problemas e ainda se manter no mercado é um desafio hercúleo para a revenda, mas que poderia ser um pouco menos traumático caso houvesse uma relação de parceria mais forte e verdadeira entre revenda e distribuição.

Por isso, é preciso que o revendedor não apenas cobre das autoridades um mercado mais são e justo. É importante que o revendedor fique atento às notícias que chegam aqui e acolá e cobrem suas distribuidoras sempre que for pertinente. Num mercado em que cada centavo cada vez mais conta, por que nenhuma distribuidora repassou a sua revenda pelo menos parte do desconto que há três meses vem sendo dado pela Petrobras de R$ 0,25 por litro de diesel (na última semana de cada mês) para evitar importações? Por que costumeiramente recebemos gasolina com teor de 26% de álcool anidro (no limite do permitido pela legislação), o que gera uma economia entre R$ 0,012 e R$ 0,016 por litro à distribuidora, mas que também não nos foi repassada? E os descontos de até R$ 0,1 obtidos junto às usinas, em cima do preço Esalq, que também não chegam aos postos?

Entendemos que a política de preços de cada distribuidora deve ser respeitada, bem como seus níveis de estoques e processos logísticos, mas por que somente a BR Distribuidora tem repassado integralmente para a revenda os descontos decorrentes da redução anunciada pela Petrobras no início de junho? Se não bastasse não desfrutar de um custo menor de aquisição, é a revenda que fica na linha de frente, precisando explicar à mídia o porquê do combustível não ter baixado no dia seguinte.

O momento, sem dúvida, é de reflexão. Não apenas sobre os novos desafios lançados pelo grande consumo de álcool, mas sobre todas as relações e o próprio funcionamento da nossa cadeia de abastecimento.



 

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