Artigos dos presidentes
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Ano de conquistas e desafios |
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Por Paulo Miranda Soares
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Os números de 2011 ainda não estão fechados, mas, ao que tudo indica, tivemos um ano não tão vigoroso como o passado, porém, ainda com vendas bastante expressivas de diesel e, principalmente, de gasolina, em meio à crise de oferta no setor sucroalcooleiro que prejudica a competitividade do etanol.
No entanto, mais do que demanda aquecida, o ano de 2011 nos trouxe importantes conquistas no âmbito regulatório. A principal delas, com certeza, foi a modernização que a ANP implementou em sua legislação, após finalmente ter colocado fim ao passivo de mais de 11 mil processos administrativos anteriores a 2008. Com isso, a Agência reduziu a sensação de impunidade que assolava o mercado, já que vários estabelecimentos eram autuados, mas a multa nunca chegava.
Como efeito colateral, muitos postos se viram, da noite para o dia, classificados como reincidentes, e, portanto, sujeitos a suspensões de 30 dias, revogação de cadastro e até mesmo ao cancelamento do registro. Para agravar ainda mais a situação, muitas vezes a infração se referia a problemas de menor gravidade, como um adesivo retirado para pintar uma coluna.
Diante desse quadro, a ANP determinou que o agravamento da pena só será aplicado quando a outra infração tiver sido cometida a menos de dois anos. Além disso, a Agência editou nova resolução, mudando os procedimentos de fiscalização para irregularidades de menor porte, basicamente no que se referem a quadros, placas e adesivos, permitindo que o fiscal notifique o posto e conceda um prazo para que o problema seja resolvido, antes de multá-lo.
No front do biodiesel, finalmente o governo parece ter se convencido de que o Programa precisa de ajustes, antes de se pensar em elevar o percentual da mistura: ajustes no preço, na qualidade, no uso de matérias-primas etc. A ANP já estuda uma nova especificação para o biocombustível e os próprios produtores reconhecem a necessidade de mudanças. Embora, ignorando as discussões no mercado e o diálogo mantido com a revenda, tenham encaminhado ao governo novo pedido de aumento da mistura.
Mas para 2012 os desafios não serão menores. Em janeiro chega o S50 a postos de todo o país. Até meados de novembro, não sabíamos quanto iria custar o novo produto, nem a quantidade de caminhões novos que estarão circulando nas ruas e só poderão abastecer com esse combustível. O que sabemos de concreto é que o novo diesel será mais caro e mais sensível a contaminações. Em outras palavras, teremos um produto estocado por mais tempo em nossos tanques, o que representa não apenas capital imobilizado, mas também maiores riscos de degradação do produto e de formação de borra. Mais do nunca, portanto, é indispensável redobrar o cuidado com manutenção, drenagem e a coleta e guarda da amostra-testemunha.
O problema nos preocupa especialmente em São Paulo, onde a legislação pune com cassação da inscrição estadual os postos flagrados com combustível não-conforme. Só que, nem sempre, a desconformidade teve origem no posto e, muitas vezes, refere-se a itens impossíveis de ser verificados pelo posto, como teor de biodiesel, ponto de fulgor, índice de octanagem, entre outros.
Por isso, vamos solicitar ao governo do Estado de São Paulo que altere o procedimento previsto na Portaria CAT-28/2005, permitindo a inclusão da amostra-testemunha. Não se trata de, em hipótese alguma, um pedido para flexibilizar a legislação, mas sim de que seja adotado um procedimento amplamente aceito e recomendado pela própria ANP, que visa identificar, e punir, o verdadeiro responsável pela desconformidade, seja ela resultante de uma adulteração intencional ou de um erro operacional.
Por fim, desejo a todos um Natal de paz e saúde ao lado de seus entes queridos. 2012 será um ano de muito trabalho, mas com a certeza de que o resultado final será repleto de importantes conquistas que fortalecerão cada vez mais a revenda varejista brasileira.
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Ano de conquistas e desafios |
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Por Paulo Miranda Soares
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Os números de 2011 ainda não estão fechados, mas, ao que
tudo indica, tivemos um ano não tão vigoroso como o passado, porém ainda com
vendas bastante expressivas de diesel e, principalmente, de gasolina, em meio à
crise de oferta e preço que atinge o setor sucroalcooleiro e prejudica a
competitividade do etanol.
No entanto, mais do que demanda aquecida, o ano de 2011
nos trouxe importantes conquistas no âmbito regulatório. A principal delas, com
certeza, foi a modernização que a ANP implementou em sua legislação, após
finalmente ter colocado fim ao passivo de mais de 11 mil processos
administrativos anteriores a 2008. Com isso, a Agência reduziu a sensação de
impunidade que assolava o mercado, já que vários estabelecimentos eram
autuados, mas a multa nunca chegava.
Como efeito colateral, muitos postos se viram, da noite
para o dia, classificados como reincidentes, e, portanto, sujeitos a suspensões
de 30 dias, revogação de cadastro e até mesmo ao cancelamento do registro. Para
agravar ainda mais a situação, muitas vezes a infração se referia a problemas
de menor gravidade, como um adesivo retirado para pintar uma coluna ou um quadro
fora do lugar que o fiscal considerava mais adequado.
Diante desse quadro, a ANP estabeleceu novas regras e
determinou que o agravamento da pena só será aplicado quando a outra infração
tiver sido cometida a menos de dois anos. Além disso, a Agência editou nova
resolução mudando os procedimentos de fiscalização para irregularidades de
menor porte, basicamente no que se referem a quadros, placas e adesivos,
permitindo que o fiscal notifique o posto e conceda um prazo para que o
problema seja resolvido, antes de multá-lo.
No front do
biodiesel, finalmente o governo parece ter se convencido de que o programa
precisa de ajustes, antes de se pensar em elevar o percentual da mistura:
ajustes no preço, na qualidade, no uso de matérias-primas etc. A ANP já estuda
uma nova especificação para o biocombustível e os próprios produtores
reconhecem a necessidade de mudanças. Isso não impediu, no entanto, os
produtores de apresentarem um pedido ao Ministério de Minas e Energia de
elevação do percentual de mistura para 7% em 2012, indo contra, portanto, a
tudo que havia sido discutido com a cadeia de distribuição e revenda.
Mas para 2012 os desafios não serão menores. Em janeiro chega
o S50 a postos de todo o país. Até meados de novembro, não sabíamos quanto iria
custar o novo produto, nem a quantidade de caminhões novos que estarão
circulando nas ruas e só podem abastecer com esse combustível. O que sabemos de
concreto é que o novo diesel será mais caro e mais sensível a contaminações. Em
outras palavras, teremos um produto estocado por mais tempo em nossos tanques,
o que representa não apenas capital imobilizado, mas também maiores riscos de
degradação do produto e de formação de borra, agravando os problemas atualmente
associados ao biodiesel. Mais do nunca, portanto, é indispensável redobrar o
cuidado com manutenção e drenagem e a coleta e guarda da amostra-testemunha.
O problema nos preocupa especialmente em São Paulo, onde
a legislação pune com cassação da inscrição estadual os postos flagrados com
combustível não-conforme. Só que, nem sempre, a desconformidade teve origem no
posto e, muitas vezes, refere-se a itens impossíveis de ser verificados
tecnicamente pelo posto, como teor de biodiesel, ponto de fulgor, índice de
octanagem, entre outros.
Por isso, vamos solicitar ao governo do Estado de São
Paulo que altere o procedimento previsto na Portaria CAT-28/2005, permitindo a
inclusão da amostra-testemunha. Não se trata de, em hipótese alguma, um pedido
para flexibilizar a legislação, mas sim de que seja adotado um procedimento
amplamente aceito e recomendado pela própria ANP, que visa identificar, e
punir, o verdadeiro responsável pela desconformidade, seja ela resultante de
uma adulteração intencional ou de um erro operacional.
Por fim, desejo a todos um Natal de paz e saúde ao lado
de seus entes queridos e um ano novo repleto de felicidade e sucesso. 2012 será
um ano de muito trabalho, mas com a certeza de que o resultado final será
repleto de importantes conquistas que fortaleçam cada vez mais a revenda varejista
brasileira.
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Por Paulo Miranda Soares
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Sempre que visito a NACS Show penso em quanto o mercado brasileiro ainda precisa amadurecer e se aprimorar até chegar ao atual estágio da indústria de conveniência norte-americana. Os números impressionam: são 146 mil lojas lá, ante quase 6,5 mil no Brasil, com vendas anuais de US$ 575 bilhões e cerca de 160 milhões de clientes por dia – o que significa dizer que praticamente a metade da população norte-americana circula pelas lojas de conveniência diariamente.
Obviamente, diante de realidades tão diferentes, muito do que hoje é mostrado na feira norte-americana não se aplica ao Brasil. Pelo menos por enquanto. Mas nos traz a dimensão exata das oportunidades que podem ser aproveitadas por aqueles revendedores que se capacitarem, investirem e se prepararem para passar de “postos de gasolina” para “postos de serviços”. Ou, como gosta de dizer Hank Armour: de postos de combustíveis que vendem alimentos para lojas de alimentos que vendem combustíveis. Um futuro que ainda pode demorar um pouco para chegar, mas que as cada vez menores margens dos combustíveis não deixam dúvidas de que está a caminho.
Mesmo com a crise, o setor de conveniência tem mostrado crescimento robusto. Isso só foi possível graças ao trabalho feito nos últimos anos, provando o valor das lojas para os consumidores, que responderam incorporando-as ao seu dia a dia. Não é à toa, portanto, que grandes redes de supermercados estão investindo em formatos menores – o que, por um lado, aumenta a concorrência dentro do segmento; mas, por outro, faz com que os hipermercados tirem o foco da venda de combustíveis.
De qualquer forma, competição faz parte do mercado livre. E é bem-vinda. O caminho das lojas norte-americanas tem sido investir em logística, oferecer uma diversidade cada vez maior de produtos, responder aos anseios por alimentos frescos e saudáveis e, acima de tudo, tornar toda a experiência de compra mais agradável e rápida para o consumidor.
Na parte de postos, a preocupação é com recuperação de gases, reciclagem de água, economia de energia. E eram várias também as opções de recipientes para armazenagem de arla-32, produto que chega ao mercado agora em janeiro de 2012 e será utilizado em tanque próprio nos novos veículos com motor Euro 5, que rodarão com S50 e S10.
No entanto, o que mais me impressionou nessa última visita à NACS Show foi a forte mobilização do setor. A primeira grande vitória veio com a nova regulamentação para a indústria de cartões. Graças a um trabalho de dez anos, que envolveu corpo a corpo com líderes políticos, mobilização de revendedores, funcionários e clientes, mandando cartas, redigindo abaixo-assinados e se fazendo ouvir para enfrentar o enorme poder de fogo das instituições financeiras norte-americanas. Por esse caminho, eles conseguiram reduzir pela metade as taxas cobradas nas operações com cartões de débito e conquistaram o direito de cobrar preços diferenciados para pagamento em cartões de crédito. A luta ainda não acabou e, a ela, se somam muitas outras discussões envolvendo novas legislações e obrigações.
Importante lembrar que não se trata apenas de brigar para incrementar os ganhos dos empresários. Acima de tudo, é uma batalha para evitar distorções, para impedir que grandes corporações monopolizem (e manipulem) o mercado, para que o governo ouça sua grande população de pequenos e médios empresários e de consumidores. Uma luta que só faz sentido e só terá resultados positivos se todos estiverem envolvidos.
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Menos anidro para garantir mais etanol |
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Por Paulo Miranda Soares
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A partir do primeiro dia deste mês, o percentual de anidro na gasolina passa de 25% para 20%, como determinado no final de agosto pelo governo. Embora a grande preocupação do consumidor e da imprensa seja com preço, a expectativa é de que a mudança não traga impactos significativos neste aspecto, com exceção dos estados da Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo, onde é esperado um pequeno aumento no custo da gasolina. Até o momento em que escrevia este artigo, o governo não havia anunciado qualquer alteração na Cide ou no Pis/Cofins, como tradicionalmente faz quando mexe no percentual de anidro.
Apesar do preço dos combustíveis ser uma preocupação do governo, a principal dor de cabeça neste momento é garantir o abastecimento nacional. Em plena safra, vimos o etanol seguir caro, custando nas usinas quase 40% a mais do que se pagava há um ano pelo mesmo litro de anidro ou hidratado. E a tendência é o problema se agravar nos próximos meses, à medida que se aproxima o período de entressafra e se reduz a disponibilidade do produto. Embora a medida não tenha agradado o setor produtor, a diminuição no percentual era necessária para tentar reduzir a pressão sobre os (poucos) estoques e evitar não só uma nova disparada de preços durante a entressafra, mas também a escassez de produto. Importações tanto de anidro como de gasolina já estão sendo contratadas e a boa notícia é que, desta vez, o etanol comprado lá fora, com antecedência, virá com a especificação brasileira, ao contrário do que aconteceu no início do ano, quando o país precisou importar emergencialmente anidro com a especificação norte-americana (com mais água), o que gerou receios de problemas de não-conformidade.
A má notícia é que essa crise do etanol não deve se resolver no médio prazo, já que a oferta está muito aquém da demanda, e, na melhor das hipóteses, novos investimentos feitos hoje incrementariam a produção somente a partir de 2015. Infelizmente, o que vemos no horizonte não é um dos cenários mais positivos. A crise nos Estados Unidos e na Europa ameaça trazer outro período de incertezas e redução do crédito, de forma muito semelhante ao que aconteceu em 2008, quando as linhas secaram e os investimentos foram suspensos. De lá para cá, as usinas viram seus custos de produção subirem (como todos nós sentimos em nossos negócios, em meio à alta de salários, dos serviços e dos insumos), suas plantações envelhecerem e perderem produtividade. Tudo isso ao mesmo tempo em que mais carros flex chegavam ao mercado, a demanda internacional se intensificava pelo açúcar e a química começava a encontrar novas aplicações para os alcoóis de cana.
Mas, se por um lado a crise do etanol nos trouxe os dissabores de lidar com a disparada dos preços, por outro abriu caminho para a maior regulamentação, com a ANP finalmente ganhando mais poderes de controle sobre o etanol. Outro efeito colateral positivo foi a redução da oferta do produto para empresas especializadas em sonegar etanol, que tanto mal trazem ao mercado, embora seus preços distorcidamente baixos agradem algumas autoridades e consumidores. Com isso, ganharam os governos, que passaram a arrecadar mais, e também a revenda, muitas vezes obrigada a praticar preços abaixo do seu custo para enfrentar a concorrência desleal de quem não paga tributos. Recentemente, a ANP realizou uma blitz em 10 estados e apurou elisão fiscal no etanol bem próxima de R$ 1 bilhão (lembram desse número?), graças a uma operação conjunta com as Fazendas estaduais, Receita Federal e Ministério da Agricultura, no âmbito do Comitê de Combate à Sonegação Fiscal na Comercialização de Etanol Combustível. É a constatação, na prática, daquilo que há anos denunciamos em fóruns e para as autoridades.
Estamos no caminho correto, mas ainda há muito o que fazer: fechar brechas para sonegação, monitorar e divulgar os dados de produção e comercialização e, acima de tudo, dar publicidade a todos esses números. É natural do ser humano buscar culpados para situações que nos desagradam ou fogem ao nosso controle, mas é dever das autoridades vir a público e esclarecer que, pelo menos dessa vez, não temos vilões, apenas conjunturas desfavoráveis, que também fazem parte da regra do jogo.
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Antecipando tendências e problemas |
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Por Paulo Miranda Soares
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Ano após ano, a Expopostos & Conveniência vem se consolidando como o maior evento do setor de combustíveis e conveniência da América Latina. Não só pelos números recordes de participantes e volume de negócios, mas principalmente por dar a oportunidade aos revendedores de antecipar o que vem pela frente.
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