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Depois de quatro anos, diretoria da ANP está completa

A decisão sobre a nova diretoria era aguardada desde junho deste ano, com a saída de Newton Monteiro do cargo. A ausência de pessoal no quadro da diretoria prejudicou os trabalhos da ANP, dificultando as deliberações. Com apenas três diretores - Haroldo Lima, Vitor Martins e Nelson Narciso - as regulamentações apenas são aprovadas com maioria absoluta. Dificultando, assim, o processo.

A engenheira civil Magda Chambriard, funcionária de carreira da Petrobras, foi um nome cotado para o cargo desde o início das discussões. Ela deverá ficar responsável pela área de upstream. Já o professor Allan Kardec Duailibe filho, da Universidade Federal do Maranhão, foi indicado pelo ministro das Minas e Energia Edson Lobão, depois da rejeição do mercado ao nome do ex-superintendente de Abastecimento Roberto Maia.

Os dois novos diretores foram sabatinados e aprovados pela Comissão de Serviços de Infra-Estrutura e pelo Senado Federal no último dia 29 de outubro. Allan Kardec deve ficar com a diretoria de Abastecimento da Agência. Nos próximos dias a diretoria deverá se reunir para especificar as áreas de atuação de cada diretor. 

"Demoramos a escolher os nomes porque queríamos ter a certeza absoluta de que seriam os melhores. Acredito que acertamos. Os dois nomes foram aceitos por unanimidade tanto na Comissão como no Senado", disse o ministro Edson Lobão, durante a cerimônia de posse dos novos diretores.

Para o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, o preenchimento do quadro de diretores da Agência é muito significativo neste momento, depois de anos com ausência de pessoal. Ele afirmou que os números do setor de petróleo, gás e biocombustíveis refletem um crescimento do setor no país. De acordo com ele, há projeções de que o ano de 2008 encerre com reservas provadas de petróleo em cerca de 14 bilhões de barris, acima dos 12,6 bilhões registrados em 2007. Ele disse ainda que a produção de óleo neste ano deve ficar  3,4% acima do que no passado. Já a produção de álcool hidratado deve registrar este ano um crescimento de 50% em relação a 2007, com nove milhões de metros cúbicos de produção. "Esses números demonstram o crescimento do setor e também a linha desenvolvimentista do governo, sendo um dos países que mais cresceu no mundo", disse Lima. "São números que nos deixam satisfeitos", completou.

Para Allan Kardec, mesmo com a crise financeira mundial, que abala todas as expectativas de crescimento econômico dos países no próximo ano, o setor de petróleo, gás e biocombustíveis é promissor. "Com um mercado em crescimento, a pujança da Petrobras, o papel da ANP é fortalecido. Ainda mais que com a crise que o mundo está passando, há uma total descrença quanto à auto-regulamentação do mercado", disse o professor.

 

Pré-sal

 

Magda Chambriard, afirmou que as reservas de petróleo e gás natural na área do pré-sal - onde estão localizados os mega-campos de Tupi e Iara - podem chegar a pelo menos 50 bilhões de barris. O volume estimado é mais de quatro vezes maior do que as reservas atuais do país.

A diretora da ANP, que já ocupou a Superintendência de Definição de Blocos da Agência, manteve a avaliação inicial já feita para o mega-campo de Tupi, de cinco a oito bilhões de barris de petróleo e óleo equivalente.

Segundo Magda, serão necessários investimentos de cerca de US$ 70 bilhões, para  perfurar  cerca de 500 poços e instalar oito plataformas de grande porte.

"Há estimativa de que o pré-sal tenha pelo menos 50 bilhões de barris, cerca de quatro vezes mais volume do que as reservas atuais do país. É um grande desafio em termos de investimentos, de produção de aço e necessidades regulatórias", disse.

O chamado Cluster de Tupi, como vem sendo conhecida a área que inclui ainda poços como o de Guará, Iara e Carioca, já teve 42 dos seus quase cem campos licitados pela Agência Nacional do Petróleo.

 

De importador a exportador

 

Para Haroldo Lima, os investimentos no pré-sal podem mudar a posição geopolítica do país no mundo. Segundo ele, o país poderá ter a chance de deixar de ser exportador de minério de ferro e importador de aço, para produtor, consumidor e exportador de aço.

"Se considerarmos o campo de Marlim, nós teremos que construir em torno de 500 poços, ou quase 5.000 km2 de construção com aço especial.  Nós poderíamos estar trabalhando com a idéia de deixar de ser um grande exportador de minério de ferro para ser um grande produtor de aço e abastecer a si mesmo. Isso implicaria em grandes investimentos de siderúrgicas no país", disse.

 

Por Luciana Finazzi, editora da Combustíveis & Conveniência e assessora de comunicação da Fecombustíveis


 

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