Finalmente,
boas notícias para os revendedores de GNV (gás natural veicular). Após quase
dois anos de preços altos desestimulando os consumidores do combustível, a Agência
Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) definiu um
novo mix para a composição de preços
do GNV, que estabelece que as concessionárias utilizem 50% do gás contratado
(gás firme) e 50% do gás adquirido no leilão eletrônico realizado pela
Petrobras no dia 24 de novembro.
Esta
medida, instituída pela Deliberação 165/2010, foi resultado do trabalho de
esclarecimento promovido pela Fecombustíveis, em conjunto com o Recap
(sindicato que abrange os postos de Campinas e Região) e Resan (Santos e Baixada
Santista), e com a participação e apoio da Associação Brasileira de Gás Natural
Veicular (ABGNV) e da Comgás.
Cai,
mas sobe também
A
redução promovida pela Arsesp entra em vigor em 10 de dezembro. Para os
estabelecimentos localizados na área de abrangência da Comgás, o valor do GNV
ficará R$ 0,27 mais baixo. Segundo a agência reguladora, no caso da Comgás, a
redução baseia-se em alguns fatores: o novo mix
que passou a vigorar após o leilão da Petrobras e a inversão da conta gráfica
da concessionária (já que desde maio a Comgás tinha uma tarifa maior do que o
preço de aquisição da Petrobras, por conta de variações cambiais e do uso do
gás comprado a preço inferior no leilão). A nova tarifa da concessionária, fixada
pela agência, passa de R$ 0,769/m3 para R$ 0,57/m3. Com
isso, os valores de cálculo do ICMS também ficam menores. “Ou seja, a Arsesp
fixou um valor R$ 0,19 mais baixo por m3. Com esta nova tarifa, o
ICMS tem redução de mais R$ 0,08. Assim, para o posto revendedor, o produto
chega R$ 0,27/m3 mais barato, um redução de 25,31%”, explicou Zevi
Kann, diretor de Regulação Técnica e Fiscalização dos Serviços de Distribuição
de Gás Canalizado da Arsesp.
No
caso da Gás Natural SP Sul, a redução de preços baseia-se somente no uso do
novo mix estabelecido pela
Deliberação 165, já que não havia nenhum tipo de conta gráfica a compensar,
como a Comgás. Em 10 de dezembro, a Arsesp publicou a Deliberação 191/2010,
reduzindo as tarifas na área da concessionária. Para os postos da região, o
valor da redução é de R$0,14, correspondendo a 18,9%. Este valor, considerando
a incidência de impostos, resultará em diminuição de 0,195/m3 no
preço de venda da concessionária.
Já
a Gás Braziliano não participou do leilão, por incompatibilidade do perfil de
seu mercado consumidor com as regras estabelecidas pela Petrobras, o que
significa que não haverá redução de preços. A partir de 10 de dezembro, de
acordo com a Deliberação 190/2010, a nova tarifa de venda de GNV aos postos é
de R$0,74/m3, correspondendo a um aumento de 5,91%.
Longa
batalha
Há
mais de um ano, as entidades estão mobilizadas em busca de alternativas para o
segmento. Além da redução de preços autorizada pela agência reguladora, a
Fecombustíveis e os sindicatos filiados ainda pleiteiam junto à Secretaria da
Fazenda do estado de São Paulo uma redução na alíquota do IPVA para os veículos
movidos a GNV e a utilização dos valores reais praticados pelo mercado como
pauta para cálculo do ICMS do gás natural veicular.
Vale
destacar que a Arsesp não regula o preço de venda do GNV ao usuário final.
Portanto, cabe aos postos de combustíveis a definição do valor do repasse aos
usuários. A expectativa da agência é de que os postos repassem esta diferença
para os usuários finais de forma a melhorar a competição do GNV com os demais
combustíveis. (Rosemeire Guidoni)
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