A Fecombustíveis lançou ontem
(15/4) o primeiro Relatório Anual da Revenda de Combustíveis, que já
está disponível para download no
endereço: www.fecombustiveis.org.br/relatorio2009,
assim como a apresentação realizada durante o evento.
“Sentimos que seria importante
publicar um Relatório da revenda por causa da grande demanda por
informações do varejo de combustíveis que recebemos diariamente na Fecombustíveis,
por parte da imprensa, de pesquisadores, agentes do setor e mesmo autoridades”,
explicou o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda Soares, durante a
abertura do evento, que ocorreu na CNC (Confederação Nacional do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo), no Rio de Janeiro. “Apesar de ser um setor de grande
importância da economia, é extremamente específico, com muitas peculiaridades
que são desconhecidas da maior parte do publico”, explicou à plateia, formada
por representantes da ANP, do Sindicom, da Abieps, imprensa e agentes do setor.
O vice-presidente financeiro da
CNC, Gil Siuffo, destacou que o Relatório chega no momento certo, em meio a um
mercado mais tranquilo. “A Fecombustíveis continua com o mesmo objetivo, o
mesmo compromisso que é defender os interesses legítimos da categoria, mas
também do contribuinte brasileiro, denunciando e combatendo as práticas de
comércio irregular, a sonegação, a adulteração”, enfatizou.
Comentando o desempenho do mercado
no início do ano, Paulo Miranda Soares reconheceu que o setor estava mais
otimista. “Janeiro e fevereiro são normalmente meses fracos para o transporte
de cargas, mas esperávamos uma queda da ordem de 6% a 7% nas vendas de diesel,
o mais afetado pela crise, por causa do desaquecimento da economia, não de 11%,
como ocorreu”, explicou. Segundo ele, se não houver retração da economia, a
expectativa é de que as vendas de combustíveis cresçam 1% acima do desempenho
do PIB.
Comércio irregular - Pincelando alguns dados do Relatório,
Paulo Miranda lembrou que o setor de revenda de combustíveis gerou R$ 52
bilhões em arrecadação de impostos no ano passado. Ele ressaltou que a carga
tributária representa atualmente 26% do preço em bomba do álcool; 23% do
diesel; e 41% no da gasolina, o que não apenas encarece os combustíveis, como
também representa um estímulo ao comércio irregular. “Com a carga tributária
que temos e nossas dimensões continentais, é importante que a ANP seja cada vez
mais forte e independente para regular esse mercado, porque não dá para
competir com sonegadores e fraudadores. Não é à-toa que somos um setor que está
todo dia implorando para ser fiscalizado”, destacou.
Soares lembrou que, apesar das
melhorias ocorridas nos últimos anos, ainda há muitas irregularidades na
comercialização de álcool, como as vendas diretas das usinas para os postos. O Relatório
traz as diferentes estimativas para o tamanho desse comércio, que segundo a ANP
chega a 6% do mercado; de acordo com o Sindicom, a 11%; e pelas contas da
Federação, a 22%. “Nosso dado reflete o que recebemos de denúncias, o que
escutamos dos revendedores, quem de fato está no dia-a-dia da comercialização e
vê o álcool que chega no final de semana, à noite, quando não há fiscalização”,
explicou.
Ele também cobrou uma ação mais dura
da ANP no combate aos PAs (Pontos de Abastecimento) irregulares, que
estabelecem concorrência desleal com os postos de estradas. Para se ter uma
ideia, em 2000, as vendas de diesel representavam 46% do volume vendido nos
postos, percentual que caiu para 41% em 2007 e 39% em 2008. Até dezembro, 5.444
Pontos de Abastecimento estavam cadastros na ANP, mas a Fecombustíveis estima
que existam cerca de 50 mil PA’s no país.
Preços – Paulo Miranda aproveitou a
oportunidade para questionar o porquê do preço do álcool ter caído 28% nas
usinas desde o início do ano e apenas 6% nas distribuidoras. “A justificativa
que recebemos é que as distribuidoras estão recompondo margens para compensar o
período em que trabalharam com margens até negativas. Então, vamos esperar”,
destacou.
O presidente da Fecombustíveis
enfatizou ainda que a instituição é absolutamente contrária a qualquer prática
de combinação de preços e se pôs à disposição das autoridades no combate aos
cartéis.
Meio ambiente - Paulo Miranda lembrou que os postos
de combustíveis vêm cada vez mais se adaptando à legislação ambiental e devem investir
R$ 11,6 bilhões até 2015 em reformas e equipamentos para prevenir danos
ambientais. “Seguimos regras ambientais que estão entre as mais rigorosas do
mundo”, afirmou.