Indústria de SP questiona aumento de 36% do gás

O Globo

06/02/2019 – Com um reajuste médio de 36% no preço do gás natural para a indústria paulista autorizado desde 1º de fevereiro pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), empresários pretendem ir à Justiça para anular o aumento. Associações que representam a indústria química, de vidro e cerâmica, entre outras, argumentam falta de transparência na formação do índice de correção do preço para pedir a suspensão do reajuste.

— Esperávamos um aumento de até 15%. Mas 36%, na média, é impraticável. Para algumas empresas do setor químico, vai ficar mais barato importar o produto que fabricam do que produzir aqui —diz a diretora de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fátima Giovanna Coviello Ferreira.

Repa

Para Giovanna, não há razão para um aumento extraordinário dessa magnitude. O dólar oscila em torno de R$ 3,70, mesma cotação de maio do ano passado, data-base para o aumento. A taxa básica de juros se mantém em 6,25% ao ano, e o barril de petróleo está mais barato que no mesmo período do ano passado.

—Nenhuma das três variáveis que estão na composição de preço do gás subiu no patamar do reajuste anunciado — afirmou a diretora da Abiquim, lembrando que, em maio de 2018, já houve um reajuste de 21%. Portanto, em menos de um ano, o preço do combustível para a indústria paulista foi de 64%.

Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileirada Indústria de Vidro (Abividro), diz que o gás representa 30% do custo da produção do setor, e o impacto desse reajuste torna “quase inviável” o processo de fabricação do produto. Na indústria de cerâmica, segmento queéoseg undo maior consumidorde gás no país, aes tima tivaéd eu mau mento de 10% no preço final dos produtos ao consumidor, segundo Antonio Carlos Kieling, superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos e Louças Sanitárias (Anfacer).

— Com inflação baixa e a economia desaquecida, um reajuste dessa grandeza, além de ser inflacionário, é dramático para qualquer empresa —diz Kieling.

Em nota, a Arsesp informou que a tarifa final do gás canalizado é formada pelo preço do produto mais o transporte, que é determinado pela Petrobras. A estatal, por sua vez, informou que o preço de venda de gás natural praticado pela companhia segue fórmula ligada às cotações internacionais de óleos combustíveis eà taxa de câmbio. A estatal tem contratos distintos com distribuidoras de gás canalizado, que, por sua vez, têm seus preços e operações fiscalizados por agências reguladoras estaduais. P orisso os preços vari amem cada estado .( Colaborou Ramona Ordoñez)