O quanto roda, onde recarregar, custo… como é o dia a dia com carros elétricos

G1

13/08/2019 – No desenho dos “Os Jetsons”, da década de 1960, o futuro seria tomado por carros voadores. Quase 60 anos depois, isso não está nem perto de se concretizar. Ainda estamos engatinhando na primeira parte dessa “revolução”, que é a dos carros que dispensam motor a combustão.

Nesta quarta (14), veja também como anda a primeira moto elétrica da Harley-Davidson.

No Brasil, terra do etanol, a “onda” elétrica começa com uma década de atraso. Agora as empresas têm alguma pressa para se colocarem nesse nicho no país, e este ano será marcado pelo lançamento de 4 modelos abaixo de R$ 200 mil: Renault Zoe, Nissan Leaf, já em algumas lojas, e Chevrolet Bolt e Jac iEV40, que estão em pré-venda.

Além deles, no segmento de luxo existem o BMW i3, custando entre R$ 206 mil e R$ 238 mil, e o recém-lançado Jaguar I-Pace, que sai por R$ 450 mil e é o maior do tipo.

Na prática, a oferta é ainda é pequena e os carros, todos importados, são caros, se comparados a equivalentes a combustão. Mas como é rodar com eles na “vida real”? O G1 passou 5 dias com o Leaf e o Bolt, semelhantes no tamanho e, com algum esforço, no preço.

Quem são?

Leaf e Bolt são dois dos hatches médios disponíveis no Brasil. O Chevrolet é oferecido em pré-venda por R$ 175 mil, com entregas a partir de outubro.

Já o Nissan esteve em pré-venda até o último dia 18 de julho por R$ 178,4 mil. Com a chegada às concessionárias, o preço subiu para R$ 195 mil. A fabricante diz que o aumento é motivado pelo aumento do dólar, bem como a inclusão do carregador caseiro (“wallbox”) e sua instalação.

O quanto rodam?

Autonomia é uma palavra-chave quando se fala do carro elétrico. É equivalente ao consumo no carro tradicional. Ela indica quantos quilômetros o veículo elétrico é capaz de percorrer até esgotar a bateria, que é a fonte de energia. Igual ao celular.

Chevrolet e Nissan informam a autonomia usando dois padrões diferentes de medição. Segundo o ciclo europeu (NEDC), onde a parte urbana predomina, o Leaf é capaz de percorrer 389 km, enquanto o Bolt alcança 520 km.

Já no padrão americano, chamado de EPA, onde a estrada predomina, a autonomia é mais baixa: 241 km para o Nissan, contra 383 km no Chevrolet.

Parâmetros como temperatura, uso do ar-condicionado e topografia podem fazer com que o motorista consiga rodar mais ou menos. O “peso” do pé do motorista também é outro fator que deve ser levado em consideração.

Ainda assim, na cidade, é possível rodar tranquilamente e “esquecer” o número no quadro de instrumentos que indica quantos quilômetros restam.

Considerando que o brasileiro roda, em média, de 32 km a 41 km por dia, isso significa que a autonomia é suficiente para usar o carro durante praticamente uma semana sem se preocupar.

Dá pra viajar?

A resposta é: depende do destino. E, ainda assim, a viagem ainda vai exigir certa dose de planejamento. Em tese, é possível, por exemplo, percorrer os 430 km entre São Paulo e Rio de Janeiro com apenas uma parada para recarregar as baterias.

Mas isso só pode acontecer porque há pontos de recarga espalhados pela Rodovia Presidente Dutra. Se o viajante quiser escolher outra estrada, poderá ter problemas.

G1 foi e voltou de São Paulo a Campinas, no interior do estado. O percurso total, de 200 km, não deve trazer dores de cabeça para o motorista.

Ainda mais porque, neste trecho, tanto a Rodovia dos Bandeirantes, como a Anhanguera, possuem postos de recarga rápida.

O Leaf saiu de São Paulo com 259 km de autonomia e chegou a Campinas com 191 km restantes. Ou seja, no percurso de 86 km, foram “consumidos” 68 km da autonomia.

Dependendo de como o condutor guia o veículo, uma parada pode ser necessária para chegar ao destino com segurança. Com uma pausa de 40 minutos, a autonomia voltou a ser suficiente para seguir viagem sem preocupação.

O Bolt fez o roteiro de forma mais tranquila. Ainda que tenha sido carregado em um posto no caminho de volta, sua autonomia garantiria um retorno sem sustos.

Em roteiros mais longos, o veículo a combustão ainda é a opção mais segura para não correr o risco de ficar sem energia. Não que a autonomia dele seja maior: é que há mais postos de combustível do que locais para carregar o carro elétrico.

E para recarregar?

Dentro de grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, até existem mais opções de carregadores, em sua maioria, espalhados em supermercados, shoppings e postos de combustível.

De acordo com o site PlugShare, usado para catalogar pontos de recarga de carros elétricos, São Paulo possui cerca de 60 locais com essa finalidade. A maioria está concentrada na Zona Oeste da cidade (veja no mapa abaixo). No Rio, há bem menos pontos.

Porém, nem todos os postos de recarga estão disponíveis para o público ou são acessíveis 24 horas. Muitos são localizados em concessionárias de veículos ou escritórios particulares. Outros, em shoppings, até fornecem a energia grátis, mas o estacionamento acaba sendo cobrado.

Plug da discórdia

A cor laranja nos mapas dos pontos de recarga acima mostra os raros locais onde existe mais de um tipo de plugue.

As fabricantes utilizam diferentes padrões e, como em alguns casos, a marca é quem banca a instalação do ponto, nem sempre ela opta por fornecer a entrada compatível com veículos da concorrência.

O Chevrolet Bolt utiliza o chamado Type 2, o mesmo dos híbridos da BMW e da Volvo e do Jaguar I-Pace. É o padrão mais comuns dos carregadores brasileiros. O Leaf tem um tipo próprio, chamado Chademo. Segundo a Nissan, há apenas 3 pontos de recarga deste tipo em São Paulo.

Para contornar o incômodo, todos os veículos serão entregues com um adaptador do Chademo para o Type 2. Mas a unidade avaliada pelo G1 não trazia a peça. Por isso, foi preciso planejar melhor o percurso, para conseguir carregar o veículo.

No prédio, em casa…

Além dos pontos de recarga rápida, também é possível utilizar tomadas convencionais de 110V ou 220V. No entanto, no caso do Leaf, a instalação deve ser aterrada. E, ainda assim, a carga é bem mais demorada.

Outra alternativa é instalar um ponto de recarga na própria casa e perder a chance de poder recarregar o veículo de forma gratuita nos postos de locais públicos.

Os R$ 195 mil pedidos pela Nissan também incluem a instalação completa do carregador caseiro. A Chevrolet ainda não definiu se irá comercializar o chamado “wallbox”.

Fazendo as contas

O valor de uma carga completa varia.

A Nissan diz que, para o Leaf, custa R$ 30. No caso do Bolt, a Chevrolet afirma são R$ 39.

Como comparação, encher o tanque de um Volkswagen Golf 1.4, de porte semelhante aos elétricos aqui citados, custa R$ 221 com gasolina e R$ 141 com etanol, de acordo o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) do último dia 19 de julho.

Com o tanque cheio, e segundo o Inmetro, um Golf 1.4 tem autonomia, em média, de 431 km com álcool e 642 km com gasolina, considerando um ciclo 50% urbano e 50% rodoviário.