Petrobras reajusta preço do diesel em R$ 0,10

O Globo

18/04/2019 – A Petrobras reajustou em R$ 0,10 o preço do diesel nas refinarias. A alta, de 4,8%, ficou abaixo do reajuste de 5,7% divulgado na quinta-feira passada e suspenso pelo Planalto. A estatal disse que suas operações de proteção à variação do dólar e a queda do frete marítimo nos últimos dias permitiram o aumento menor, mas não explicou qual passará a ser aperiodicidade dos reajustes.

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro ter se reunido com o comando da Petrobras para discutir sua política de preços de combustíveis, a estatal anunciou reajuste de R$ 0,10 no valor do diesel nas refinarias a partir de hoje. O aumento médio de 4,84% é menor, porém, que o reajuste de 5,7% anunciado na semana passada e suspenso após pedido do Planalto.

Em entrevista na sede da estatal, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disseque sua política de preço sé independente e continuará seguindo em paridade com a cotação internacional do petróleo. Segundo Castello Branco, aperiodicidade dos reajustes, com períodos não inferiores a 15 dias para o diesel, está mantida, mas nada impede que seja mudada:

— Agora, levamos 24 dias desde o último reajuste. Não vamos fazer reajustes diários, sou contrário a essa política. E passamos para 15 dias, mas levamos 24 dias para reajustar. Isso não impede que amanhã agente possa mudar algo.

O presidente da Petrobras explicou que o novo reajuste é menor que o anunciado anteriormente porque o frete marítimo ficou mais barato e a companhia obteve ganho com hedge cambial (proteção da variação do câmbio).

Cálculo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estimou que a Petrobras deixou de arrecadar R$ 91 milhões coma suspensão do reajuste na sexta-feira. Castello Branco, no entanto, negou que tenha havido perdas “porque as operações são hedgeadas”.

‘NÃO EXISTE CAIXA PRETA’

Com o reajuste, o preço do litro do diesel vai passar de R$ 2,1432 para R$ 2,2470. Entre os 35 pontos de venda da estatal, o aumento mínimo é de 4,518%, e a alta máxima, de 5,147%. O preço cobrado pela Petrobras nas refinarias equivale a 50% a 60% do preço final para o consumidor, destacou o executivo. Por isso, o aumento de R $0,10 não significa que o consumidor pagará esse valor a mais na bomba. Segundo Castel lo Branco, o consumidor vai sentir“no mundo ideal” cerca de R$ 0,05.

De acordo com Castello Branco, a reunião realizada na véspera com Bolsonaro reafirmou “a liberdade de preço para a Petrobras tocar seus negócios”. Ele negou que o presidente tivesse mandado a estatal cancelar o reajuste de 5,7% anunciado semana passada:

— O presidente Bolsonaro não pediu nada. Ele apenas alertou sobre riscos de greve. P orisso, fiz um callcomdi retores, e ade cisão foi suspender o reajuste para reavaliação. No passado recente, a determinação de preços sem levar em conta os riscos deu noque deu.

Castello Branco negou que Bolsonaro tenha sido avisado antecipadamente sobre o reajuste ontem. Perguntado sobre a afirmação do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a Petrobras deveria ser mais transparente, disse:

—Não recebi nenhum ofício sobre mais transparência. Estamos dispostos sempre a ser o mais transparentes possível. Não existe caixa preta na Petrobras.

Em entrevista à GloboNews, Guedes foi perguntado se o melhor caminho seria privatizar a Petrobras. Ele respondeu que isso seria um salto muito grande para Bolsonaro, mas explicou antes:

—Você acabou de dizer um negócio que o presidente levantou a sobrancelha. Se o preço do petróleo sobe no mundo inteiro e não tem nenhum caminhoneiro parado no Trump, na Merkel… Será que tem um problema aqui? No dia seguinte, o presidente me mandou um negócio assim: nos EUA, 60 bandeiras, no Brasil, uma bandeira só, da Petrobras. Acho que ele quis dizer alguma coisa com isso…

O reajuste do diesel hoje é visto pelos caminhoneiros como questão secundária, afirmou o representante do Comando Nacional do Transporte Ivar Luiz Schmidt.

— Mais importante é cumprir a tabela do frete — disse Rodrigo Teixeira, um dos porta-vozes dos caminhoneiros na greve de 2018.