Petróleo fecha em forte queda, após produção dos EUA no maior nível em 20 meses

IstoÉ Dinheiro

20/04/2017 – Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte queda nesta quarta-feira, 19, pressionados pelo relatório semanal de estoques do Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos, que relatou que a produção no país atingiu nível recorde.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho fechou em baixa de 3,78%, a US$ 50,85 por barril. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo tipo Brent para o mesmo mês recuou 3,57%, a US$ 52,93 por barril.

O relatório do DoE referente à semana encerrada em 14 de abril mostrou que a produção em território americano subiu para 9,252 milhões de barris, de 9,235 milhões de barris registrados no relatório anterior. Com isso, a produção subiu pela nona semana consecutiva e atingiu o maior patamar em 20 meses. Além disso, investidores se atentaram aos estoques de gasolina, que avançaram 1,542 milhão de barris, ante expectativa de queda.

Esses dois resultados negativos apontados pelo DoE ofuscaram a queda de 1,034 milhão de barris nos estoques de petróleo, acima da expectativa dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam baixa de 800 mil barris.

O avanço na produção tem limitado os ganhos da commodity. Alguns investidores têm relatado preocupação de que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) está frustrada com os recentes dados, podendo atingir uma possível extensão nos cortes da produção, que será discutido na próxima reunião da Opep, em maio. No mês passado, funcionários do cartel visitaram Houston e disseram ter certeza de que as companhias de petróleo dos EUA haviam “aprendido a lição” sobre o que poderia acontecer com os preços caso a produção continuasse a subir.

A Opep tentou minimizar o relatório do DoE desta quarta-feira. Após a divulgação, o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail al-Mazrouei, optou por dizer que os estoques de petróleo estão caindo tanto nos EUA quanto globalmente. Além disso, o cartel espera atrair outros produtores de petróleo que não fazem parte do grupo em seus esforços para administrar o mercado de petróleo. “Estamos chamando todos os produtores que não pertencem à Opep e que ainda não fazem parte dessa ampla plataforma”, disse o secretário-geral do cartel, Mohammed Barkindo.

Também nesta quarta-feira, o Wall Street Journal informou que a gigante de petróleo ExxonMobil busca um abrandamento das sanções do governo contra a Rússia para que Moscou possa retomar seu empreendimento com a gigante russa PAO Rosneft – o que não garantiu um novo salto para ações de companhias de energia russas.

Além disso, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) afirmou que irá reconsiderar uma regra sobre as emissões de gases de efeito estufa das operações de petróleo e gás. O movimento é o mais recente do governo de Donald Trump para reduzir as regulações no país. Segundo a EPA, a regra, que entraria em vigor em 3 de junho, terá sua data de cumprimento adiada por mais 90 dias.