Produção de motos ficará abaixo de 900 mil unidades

Automotive Business

Mário Curcio

11/10/2017 – A Abraciclo, entidade que reúne os fabricantes de motos, revisou para baixo as projeções para 2017. A estimativa de produção encolheu de 910 mil para 885 mil unidades, 2,7% a menos. O número é semelhante ao anotado em 2002, quando as associadas produziram 861,5 mil motos. A revisão foi necessária porque a média diária de vendas não se sustentou em 3,6 mil unidades como a entidade esperava.

Recuou em julho e agosto para 3,3 mil e foi pouco melhor que isso em setembro. Com isso, a nova projeção de emplacamentos até o fim do ano baixou de 890 mil para 860 mil motocicletas.

Caiu também a expectativa para as vendas no atacado, aquelas feitas das fábricas às concessionárias. Em vez de 825 mil serão 813 mil motos, 1,5% a menos.

A retração que levou a Abraciclo a rever para baixo suas projeções ocorreu pelo arrefecimento do mercado, mas também porque a Honda (que detém 78% do mercado) precisou reduziu a produção e entrega da linha CG 160 modelo 2017 para poder distribuir os modelos 2018 (veja aqui). Fez isso para evitar o encalhe da linha antiga. Como resultado houve falta de produtos nas concessionárias e impacto no mercado como um todo, já que a linha CG 160 responde por 27% dos licenciamentos. “De abril até setembro o estoque total de motos baixou de 37 para 31 dias”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

JANEIRO A SETEMBRO

No acumulado até setembro as associadas à Abraciclo montaram 652,2 mil unidades, 8,5% a menos que no mesmo período do ano passado. Os emplacamentos somaram 640 mil motos, resultando em queda de 6,9%.

As vendas no atacado ficaram em 603,3 mil unidades nos nove meses do ano, 11,7% a menos que em igual período de 2016. De acordo com a Abraciclo, os empregos no setor estão estáveis em cerca de 12 mil postos em toda a cadeia produtiva.

SCOOTERS EM ALTA

Um levantamento a partir de números do atacado mostra que de janeiro a setembro a venda de scooters alcançou 42,9 mil unidades, registrando alta de 62,3% sobre o mesmo período do ano passado. O acréscimo ocorre por causa de lançamentos e pela boa aceitação desses veículos: “As vendas se concentram especialmente em grandes centros urbanos”, afirma Fermanian.

Um levantamento feito por Automotive Business a partir de emplacamentos do primeiro semestre (que também incluíram modelos de empresas não associadas à Abraciclo) revelou uma alta ainda maior, de 70%.

EXPORTAÇÕES ABAIXO DO PREVISTO

No início de 2017 a Abraciclo esperava exportar 93 mil motocicletas, o que representaria um salto de quase 60% sobre os embarques de 2016. Mas há quatro meses houve um arrefecimento nas vendas externas e a associação foi obrigada a revisar o número total para 80 mil unidades, o que ainda resulta em alta de 35,5%.

Até setembro a Argentina absorveu 40,5 mil motos brasileiras (64,2% do total), a Colômbia, 5,5 mil (8,8%), os Estados Unidos, 4,1 mil (6,5%) e outros países, pouco mais de 13 mil (20,6%).