Relator da reforma diz que proposta era ‘dura demais’

O Globo

Daiane Costa e Marcello Corrêa

13/03/2018 – O relator da reforma da Previdência, deputado federal Arthur Maia, criticou a forma como o governo federal informou a população sobre a proposta da reforma, ao apresentá-la pela primeira vez, em 2016, mas enfatizou que esse não foi o único problema a dificultar a aprovação.

— Não foi só a ineficiência do governo, mas há uma barreira cultural. A população acredita que o governo sempre tem de prover tudo — analisou o relator, em evento sobre o tema promovido pela FGV, ontem, no Rio.

Ele também avaliou que o texto original era “duro demais para ser aprovado” e que foi “demonizado” pela oposição. Maia disse, ainda, que, neste momento, tornou-se impossível aprovar o texto:

— Estamos falando de um governo que não foi eleito pelo voto popular, que assumiu depois de um impeachment e é alvo de algumas acusações. Esse governo não tem os 308 votos necessários (para a aprovação).

Maia afirmou também que a rejeição inicial ao projeto era de 95%, mas que teria caído para 33% na última pesquisa de opinião realizada.

— A reforma da Previdência poderia ter sido aprovada não fosse a delação da JBS. A população queria a saída de Temer, e os deputados votaram contra a vontade da população — disse ele, que votou pelo arquivamento das duas denúncias contra o presidente Michel Temer avaliadas pela Câmara dos Deputados no ano passado.

Marcelo Caetano, secretário da Previdência, argumentou, durante o mesmo evento, que, enquanto o decreto de intervenção federal estiver em vigor no Rio, o debate sobre a reforma está suspenso. Ele também descartou que o governo esteja se mobilizando para suspender o decreto temporariamente para retomar a votação.

Mas defendeu a urgência de tratar do tema. Segundo ele, a próxima década será crítica para a questão previdenciária:

— Vai ser a década em que a geração dos millennials, os de 2005, por aí, não vai repor a (população) de seus pais.