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O mercado de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o popular gás de cozinha,
sentiu o baque da expansão da rede de distribuição de Gás Natural (GN),
impulsionada pelas descobertas de jazidas do produto na Bacia de Santos. A
análise é do presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Distribuição de
GLP (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello. Porém, ele afirma que as
distribuidoras de Gás Natural não chegaram a abocanhar nem 5% do mercado e
aposta que vão parar por aí.
De acordo com Mello, não são esperadas novas perdas de clientes. "A gente não
projeta isso porque o GLP está mais barato que o gás natural", explicou. Nas
contas do sindicalista, 17 metros cúbicos de GN equivalem a 13,9 quilos de GLP
(os dois produtos são dosados por medidas diferentes), pouco mais dos 13 quilos
vendidos nos botijões domésticos. Com esse cálculo, o preço dos 17 metros
cúbicos de GN seria R$ 69,44, enquanto os 13,9 quilos de GLP sairiam por R$
33,54, pouco mais que o dobro.
Dessa forma, Mello conclui que cada quilo de GLP equivale a 1,22 metro cúbico
de GN, com cada metro cúbico custando R$ 4,08. "Você pode dizer que o GLP tem um
potencial calorífico superior ao GN", disse o dirigente sindical
NOVIDADE
Há pouco mais de dois anos Santos começou a ganhar uma rede de dutos capazes
de levar gás natural às residências, sem a necessidade do uso de botijões de
GLP. Mello pede cautela para quem pensa em aderir ao novo sistema. "As pessoas
migram do GLP para o GN sem fazer a conta. E estão perdendo muito dinheiro".
Segundo ele, para os pequenos consumidores (como os domésticos) o preço do GN
perde para o GLP, enquanto entre os grandes como as indústrias ocorre o
inverso.
A explicação, conforme o presidente do Sindigás, não é milagrosa. Como
exemplo, ele cita que o GLP sai das refinarias 40% mais caro que o GN eque esse
quadro vira a partir do trajeto que o Gás Natural percorre para chegar às casas.
"Os custosde instalação e manutenção dos dutos são repassados aos consumidores.
O barateamentose dá naminha capacidade de enlatar ou transportar meu produto em
caminhões, ou seja, armazenar, coisa que o GN não permite", destacou.
CUSTO
Por outro lado, ele observa que, para as indústrias, o GLP torna-se
desinteressante. "Como o consumo é em grande quantidade, fica caro entregar
botijões a toda hora ou mandar caminhões abastecer. Nesse cenário, os dutos são
imbatíveis", reconheceu. O consumo médio do GLP é de um botijão (13 quilos) por
mês.
Ainda em favor do GLP, Melloobservou que o Gás Natural já vive momento
bastante diferente ao de três anos atrás, quando até para os veículos era o
combustível mais em conta. "Acabou o gás natural a preço de banana no Brasil. O
GN chegou muito barato para a residência, para o carro, para tudo. O meu
concorrente é um energético magnífico, mas vai ser priorizado para o consumo
industrial, para fomentar a geração de empregos", analisou.
CONCORRÊNCIA
O presidente do Sindigás recomenda que os consumidores residenciais de Santos
consultem as distribuidoras de GLP da cidade para conhecer as possibilidades de
instalação de centrais condominiais onde o abastecimento pode ser feito a
granel ou por cilindros de 45 quilos.
"Há quase 10 empresas em Santos e pelo menos 200 revendedores, enquanto só
tem uma revendedora de Gás Natural", observou.
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