| 2008, o ano dos recordes |
Página 1 de 4 2008 foi um ano bastante positivo para a economia brasileira e, consequentemente, para o setor de abastecimento de combustíveis. Segundo projeção do Banco Central, o PIB do país teve crescimento de 5,1% em 2008, em comparação com 2007. Neste mesmo período, a agropecuária registrou alta de 6,7% e o setor de transportes aumentou 4,1%. Índices bastante positivos, mas ainda abaixo do crescimento de 8,4% apontado pelo setor de combustíveis. Ao todo, foram consumidos 105,9 bilhões de litros de combustíveis no país em 2008, número nunca registrado anteriormente. O avanço do crédito na economia brasileira também possibilitou expansões jamais vistas na indústria nacional de veículos. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), 2008 obteve recorde histórico de produção de veículos, atingindo 3,22 milhões de unidades no ano, um acréscimo de 34% em relação a 2007 (2,40 milhões), ano que registrou segundo melhor resultado da indústria automobilística brasileira. Recordes também nos preços do barril de petróleo. Em julho de 2008, o patamar do barril tipo Brent chegou a US$ 145,29, segundo dados da Energy Information Administration. Já em dezembro do mesmo ano, como reflexo da crise financeira mundial que tomou forma no último trimestre do ano, o mesmo produto chegou a ser comercializado por US$ 44,6, chegando a US$ 35 no início de 2009. O preço médio anual do barril tipo Brent em 2008 ficou em US$ 96,94, acima da média de US$ 72,44 registrada no ano anterior. Enquanto isso, o upstream no Brasil ganhou dimensões inimagináveis na década de 70, quando a Petrobras descobriu a Bacia de Campos. Foram confirmadas descobertas de megajazidas de petróleo pré-sal no país no conglomerado de blocos dos Campos de Tupi, Iara, Júpiter, Carioca e Bem-Te-Vi. As estimativas do tamanho total dos campos do pré-sal variam de 40 bilhões a 70 bilhões de barris, colocando o país entre os maiores produtores mundiais de petróleo do planeta. Nos últimos dois anos, somente a Petrobras investiu R$ 1,7 bilhão na perfuração de 15 poços que atingiram as camadas pré-sal. De 2009 a 2013, a estatal deverá investir US$ 29,9 bilhões destinados somente à exploração e desenvolvimentos da produção dos campos localizados na área do pré-sal nas Bacias de Santos e Campos – aí incluídos os programados para o Parque das Baleias, no litoral do Espírito Santo. Em setembro de 2008, a companhia iniciou a produção do primeiro óleo da camada pré-sal, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, no litoral Sul do Espírito Santo. A intenção da empresa é obter conhecimento para ajudar a desenvolver as reservas do pré-sal localizadas no Espírito Santo e em outros pontos do litoral brasileiro. A projeção da Petrobras é que em 2013 os campos do pré-sal atinjam uma produção de 219 mil barris por dia (bpd), volume que deverá ser elevado para cerca de 1,8 milhão de bdp em 2020, incluindo a produção da Petrobras e seus parceiros, dobrando a produção atual diária. O governo federal e a Petrobras apontaram as descobertas do pré-sal como as mais importantes desde a Bacia de Campos, na década de 1970, projetando a Petrobras entre os dez maiores produtores de óleo e gás do mundo. Enquanto a exploração do pré-sal ainda não se desenvolve, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil em 2008, em barris de óleo equivalente (bpe), foi de 2.175.896 barris/dia, indicando um crescimento de 5,4% sobre o volume produzido em 2007. A produção exclusiva de petróleo atingiu a média diária de 1.854.655 barris, com um aumento de 3,5% sobre 2007, e a de gás natural chegou a 51 milhões de m³ diários e ficou 17,8% maior do que a média do ano passado. Acrescentando o volume dos campos situados nos nove países onde a Petrobras exerce a atividade de produção, a média diária total da companhia subiu para 2.399.958 barris de petróleo e gás natural em barris de óleo equivalente, com um aumento de 4,3% em relação à média de 2007. No exterior, a produção de petróleo foi de 123.635 barris/dia e a de gás natural de 17.063 m³ diário, com redução de 2% e 8,2%, respectivamente. A produção total em barris de óleo equivalente no exterior chegou a 224.062 barris de óleo equivalente por dia, 4,9% menor que a do ano passado. A variação internacional deveu-se a fatores como o decréscimo da produção em campos maduros e a suspensão temporária de produção da Bacia Austral, na Argentina, a reprogramação de datas nas campanhas de perfuração de poços na Venezuela, a temporada de furacões nos Estados Unidos e trabalho de manutenção no Campo de Guando, na Colômbia. As exportações de petróleo e derivados também bateram recorde em 2008. A Petrobras exportou 673 mil barris diários, indicando um crescimento de 9,4% sobre as exportações de 2007 e um superávit volumétrico de 103 mil barris/dia. As exportações totais corresponderam a um valor de US$ 21,245 bilhões e foram 42,7% superiores às registradas em 2007. Apesar do superávit volumétrico, houve um saldo negativo de US$ 928 milhões, influenciado pela volatilidade dos preços no mercado internacional. O déficit é resultado da diferença de preços entre os 439 mil barris/dia petróleo pesado exportados e os 373 mil barris/dia do produto leve importado, cujo valor de mercado é maior. Também influenciaram a balança a diferença entre os preços dos derivados importados, principalmente diesel, nafta e GLP, de maior valor agregado, e os exportados, notadamente gasolina e óleos combustíveis. Distribuição de combustíveisNo mercado de distribuição de combustíveis, 2008 ficará marcado pelo anúncio histórico da venda da rede de postos da Exxon e da Chevron no Brasil. Duas das maiores petrolíferas privadas do mundo passaram o controle da Esso e da Texaco para os grupos nacionais Cosan e Ultra, respectivamente. A Cosan, maior grupo sucroalcooleiro do país, anunciou em abril do ano passado a compra da Esso por US$ 826 milhões, além de assumir dívidas ativas de US$ 128 milhões. Na operação, o grupo do setor sucro-alcooleiro comprou a Esso Brasileira Ltda e com ela os 1.500 contratos com postos da rede Esso, 220 franquias de lojas de conveniência, unidades de fabricação de lubrificantes e ainda a participação no mercado de combustíveis de aviação, na qual a norte-americana detinha 12%. Pelo acordo comercial, a Cosan adquiriu ainda o contrato de licença de uso da marca Esso. Portanto, a marca vai permanecer ainda por um longo prazo no mercado brasileiro. A ExxonMobil permanece no país, mas atuando agora apenas nas áreas upstream, de químicos e de serviços, em Curitiba. Em agosto, foi a vez de o Grupo Ultra anunciar a compra da rede de postos da Texaco por US$ 1,161 bilhão, ampliando em 60% sua base de postos. Com a compra da rede de postos da Texaco, o Grupo Ultra passou a ser a segunda maior rede de distribuição de combustíveis do Brasil, atrás apenas da BR Distribuidora. Em setembro, a ALE comprou os 130 postos de combustíveis da rede catarinense Polipetro, localizados em 110 cidades de Santa Catarina e do Paraná e em dezembro, anunciou a aquisição dos 327 postos de serviços da marca Repsol presentes em sete Estados brasileiros. Esse movimento de aquisições no setor de distribuição de combustíveis teve início em março de 2007, quando a Ipiranga vendeu sua rede de postos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste para a BR Distribuidora e os das regiões Sul e Sudeste para o Grupo Ultra. A operação, a maior registrada no país, ficou em US$ 4 bilhões. Mesmo com a grande movimentação do mercado, a BR Distribuidora se manteve líder no número de postos embandeirados. Pelo terceiro ano consecutivo, o market-share da BR ficou em 18% do mercado, seguido do da Ipiranga, com 11%, da Texaco/Chevron e Shell, ambas com 6%, e da Esso, com 4%. Em 2008, o número de distribuidoras de combustíveis apresentou queda de 8,5% em relação a 2007. Eram 226 distribuidoras operando no país, enquanto que em 2007 este número ficou em 248 unidades. Em 2008, a ANP revogou 37 autorizações de distribuidoras e concedeu 15. No ano anterior, a Agência havia revogado 22 autorizações e concedido outras sete. Já em relação à revenda de combustíveis, o número de postos de serviços em 2008 se manteve praticamente o mesmo. Segundo dados da ANP, em 2007 operavam 35.017 revendas de combustíveis. Em 2008, o número ficou em 35.166 postos, apenas 0,4% acima. A média de vendas mensais dos combustíveis líquidos (álcool, gasolina e diesel) por posto de serviços em 2008 ficou em 150.661 litros, uma alta de 9,9% em relação aos 137.048 litros vendidos mensalmente por posto em 2007. Em 2008, manteve-se a melhoria dos problemas de adulteração e sonegação que o mercado enfrentou desde sua abertura, no final da década de 90. Não que os problemas tenham desaparecido, eles ainda existem e devem ser combatidos. No entanto, a chegada de três medidas em 2008 ajudou a auxiliar no combate aos obstáculos do setor. A primeira delas foi a introdução da nota fiscal eletrônica. Utilizada a partir de abril, ela dificulta as fraudes fiscais e pode ser um elemento poderoso na identificação dos sonegadores. Outra mudança significativa foi a introdução da Medida Provisória 413, que posteriormente foi transformada na Lei 11.727. A nova legislação mudou as regras de cobrança do PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) para o álcool, repassando parte da responsabilidade pela arrecadação do tributo para as usinas. A terceira medida importante para acabar com as irregularidades do setor foi a revisão da Portaria 116 da ANP. Um dos pontos mais importantes desta revisão foi a definição de uma maior rigidez no uso da marca pelos postos. Uma resposta do órgão regulador – que completou dez anos em 2008 – aos chamados postos clonados. Com a recuperação do mercado, tanto as distribuidoras como os postos de serviços tiveram a oportunidade de se voltar para a melhoria do atendimento ao consumidor, da qualidade dos serviços e produtos e do fortalecimento de suas marcas. Os biocombustíveis2008 foi o ano de consolidação do álcool no país. O álcool hidratado bateu recorde de consumo, com alta de 41,9% em relação a 2007. Com este aumento, o consumo total de álcool registrado em 2008, de 19,6 bilhões de litros, ficou acima do da gasolina tipo A, de 18,8 bilhões de litros. O ano de 2008 registrou ainda o maior volume de álcool hidratado consumido no país (13,3 bilhões de litros) se comparado com a década de 2000 e de 90. Em 1991, o recorde de hidratado consumido havia sido de 11,5 bilhões de litros. Muitos são os fatores que influenciaram o aumento do consumo de álcool no Brasil neste ano de 2008. O primeiro deles foi o também recorde de vendas de carros flex no país. Segundo a Anfavea, foram vendidos 2,347 milhões de veículos flex em 2008, um acréscimo de 16,3% em relação a 2007. Esse número representa 87,2% do total de automóveis e carros leves comercializados no ano no Brasil. Enquanto isso, a venda de veículos a gasolina caiu 7,9% em 2008, alcançando 224 mil unitários. A partir de abril de 2008, o álcool hidratado registrou ao consumidor preços médios mais competitivos que os da gasolina tipo C e do GNV, influenciando diretamente o aumento do consumo do biocombustível em todo o país, já que a grande frota de veículo flex permite a opção. Além disso, o álcool hidratado foi competitivo na média anual em 16 dos 27 Estados brasileiros, enquanto que a gasolina tipo C foi mais competitiva que o etanol em apenas nove Estados. No ano passado, o álcool hidratado deteve 11,8% da matriz de combustíveis veiculares do Brasil, acima dos 9,1% registrados no ano anterior. Na composição das vendas de combustíveis líquidos por posto, o álcool também registrou grande acréscimo, passando de 16% das vendas em 2007, para 21% no ano seguinte. Ainda assim, os volumes de álcool sonegado comercializados no país continuam altos. E há divergências quanto ao volume. O Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes) estima que o mercado negro do álcool tenha alcançado em 2008 11% do volume total comercializado no país. Já a ANP acredita que esse volume seja menor, atingindo 6% do mercado. A Fecombustíveis calcula que esse valor seja maior, chegando a 22% do volume total. O ano de 2008 marcou também o início do uso compulsório do biodiesel no Brasil. Na primeira metade do ano, a mistura de biodiesel no diesel era de 2%, passando para 3% a partir do segundo semestre. Com a obrigatoriedade da mistura, o volume de vendas de biodiesel em 2008 registrou aumento de 332% em relação a 2007, alcançando 1,1 bilhão de litros. O número de usinas produtoras de biodiesel também aumentou 37,78% em comparação com o ano anterior, passando de 45 para 62 unidades. O biodiesel deteve 1,2% da matriz de combustíveis veiculares em 2008, ante 0,4% no período anterior. Acompanhando o crescimento da economia brasileira, o diesel registrou aumento de 7,7% no volume de vendas, se comparado com o ano anterior, alcançando um volume de 44,7 bilhões de litros, ante 41,5 bilhões de litros registrados em 2007. O diesel é o combustível mais preponderante na matriz energética veicular, alcançando 52,3% (tep) em 2008. No ano anterior, esse índice ficou em 53%. Nas vendas de óleo diesel por segmento, os postos revendedores perderam espaço em 2008, em comparação com o ano anterior, ficando com 56,2% das vendas de óleo diesel, ante 57,5% no ano anterior. Enquanto isso, a venda para consumidores finais aumentou na mesma proporção, de 31,3% em 2007, para 32,5% no ano seguinte. Na composição de vendas de combustíveis líquidos por posto, o óleo diesel também sofreu queda. Em 2007, o combustível representava 41% das vendas médias de um posto. Já em 2008, esse número recuou para 39%. Apesar de o número de TRRs ter diminuído drasticamente, de 627 unidades em 2007, para 460 em 2008, a participação de mercado permaneceu no mesmo patamar, 11%, nos dois anos comparados. A redução do número de TRRs se deveu a uma limpeza de cadastro realizada pela ANP e à entrada em vigor da Resolução nº 8, de março de 2007, que estabelece tancagem e capital de giro pré-definidos para a atividade de Retalhista. Vale destacar aqui que até dezembro de 2008 estavam autorizados na ANP 5.444 PAs (Pontos de Abastecimento). As autorizações tiveram início a partir de março de 2007, com a entrada em vigor da Resolução 12 pela Agência, que regulamenta a atividade de PAs no país. A Fecombustíveis acredita que o número de agentes neste segmento seja muito superior aos autorizados pela ANP, chegando a 50 mil unidades. Os PAs irregulares são um dos principais motivos da queda de volume de vendas de óleo diesel por postos revendedores, segundo a Federação. O consumo de gasolina C aumentou 3,5% em 2008, de 24,3 bilhões de litros em 2007, para 25,2 bilhões de litros. Vale destacar que em 2007 a mistura de álcool anidro na gasolina A aumentou de 23% no primeiro semestre para 25% no segundo, permanecendo com este teor durante todo o ano de 2008. Neste ano, o volume consumido de gasolina A aumentou 2,2% e o de álcool anidro, 7,7%. Na matriz de combustíveis veiculares, a gasolina tipo A perdeu espaço em 2008, recuando de 27,2% em 2007, para 25,4% em 2008. Já o álcool anidro caiu de 6% em 2007, para 5,9% no ano seguinte. A média mensal de vendas de gasolina por posto em 2008 ficou em 59.657 litros, ante 57.890 litros no ano anterior. No entanto, na composição das vendas de combustíveis líquidos por posto, a gasolina enfrentou recuo de dois pontos percentuais, se comparados os anos de 2008 com 2007. Em 2007, a composição da gasolina nas vendas médias de um estabelecimento era de 42%, caindo para 40% em 2008. O aumento de preços e a perda de competitividade com o álcool hidratado fizeram com que o GNV sofresse queda de 5,72% nas vendas em 2008, passando de uma média de consumo 6.015 mil m³/dia em 2007 para 7.015 mil m³/dia no ano seguinte. Na matriz de combustíveis veiculares, a queda registrada foi de 4,3% em 2007, para 3,4% em 2008. O mercado de GLP cresceu 2,1% em 2008, com expansão muito menor para o botijão de cozinha, o P13, de 1,7%. Já o mercado de óleos lubrificantes apresentou crescimento de 8,9%. O mercado em 2009Pelo que tudo indica, 2009 será um ano de baixa na economia mundial. Os reflexos da crise econômica financeira global, que teve início nos EUA em 2008, devem afogar quaisquer possibilidades de bons resultados econômicos este ano na maior parte do planeta. Em 28 de janeiro de 2009, o FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciou que a projeção de crescimento do mundo deve atingir os índices mais baixos desde a 2ª Guerra Mundial. Esta foi a segunda vez que o Fundo revisou para baixo as expectativas de crescimento da economia mundial desde novembro, quando acontece a reunião anual da instituição. Segundo a última revisão do FMI, o mundo deverá crescer em 2009 apenas 0,5%, bem abaixo da previsão anterior, de crescimento de 2,2%. Já a projeção para o Brasil foi cortada de uma expansão de 3% para 1,8%. Mesmo assim, essa taxa está ainda acima da média mundial, assim como nos relatórios anteriores do Fundo. Com previsões econômicas nada otimistas, o setor de abastecimento de combustíveis brasileiro também deve sofrer o impacto da crise. No entanto, a Fecombustíveis não acredita em retração do mercado em 2009, mas na redução no ritmo de expansão. A demanda por combustíveis é inelástica, ou seja, os veículos já existem, estão circulando pelas ruas e estradas brasileiras e continuam consumindo combustíveis. No entanto, o consumo de óleo diesel deve se retrair nos patamares da redução econômica que 2009 poderá ter. Já a gasolina e o álcool hidratado não devem sofrer um impacto tão grande em função do pacote para combater a crise do governo federal lançado em dezembro de 2008. O governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) dos carros novos e a alíquota de IOF paga pelas financeiras no financiamento de novos veículos. Em carros com motor 1.0, o IPI, antes de 7%, foi zerado. Já para carros com motor até 2.0, o recuo foi de 13% para 6,5%. Os carros de luxo permaneceram com a alíquota de 25%. O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), para as financeiras, passou de 3,38% para 1,5% ao ano. Os dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) demonstram que o pacote do governo fez efeito para a continuidade do crescimento nas vendas de automóveis e veículos leves em janeiro de 2009. Segundo a entidade, este segmento cresceu 3,16% no primeiro mês do ano, se comparado com dezembro de 2008. No entanto, apesar do número positivo, o setor fechou o mês negativo em 5,2%, com queda nas vendas de motos (13,47%), caminhões (24,45%) e ônibus (35,5%). Estes números indicam que o setor de baixa renda, comprador de motos, e os investidores, que compram caminhões e ônibus, já sentem os reflexos da crise e que, provavelmente, o segmento de óleo diesel sofrerá maior retração de crescimento. Apesar da crise, no upstream, há previsões de grandes investimentos e crescimento. A Petrobras divulgou em janeiro o Plano de Negócios destinado à área de Exploração e Produção para o período de 2009 a 2013, que prevê investimentos de US$ 92 bilhões, somente no Brasil. Esse valor representa um crescimento de US$ 26,9 bilhões com relação ao plano anterior (2008/2012), que previa US$ 65,1 bilhões. Com esses investimentos, a estimativa da Petrobras é aumentar a produção nacional de petróleo para dois milhões e 680 mil barris por dia (bpd) em 2013.
Serão também investidos US$ 13,8 bilhões até 2013 na exploração de 278 blocos nas bacias da Margem Equatorial, do Ceará e Potiguar, do Solimões, de Sergipe e Alagoas, da Bahia do Sul, do São Francisco, do Espírito Santo, de Campos, Santos e Pelotas. A estimativa da Petrobras é chegar em 2013 com uma produção total de óleo e gás, incluída a contribuição de seus campos no exterior, de cerca de 3,6 milhões de bpd. Em 2009, a Petrobras promete colocar em produção cinco novos sistemas de produção de óleo e cinco de gás. Além do Teste de Longa Duração de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, entrarão em operação sistemas de produção nos campos de Jabuti, Frade, Parque das Conchas e a plataforma P-51, no campo de Marlim Sul, todos na Bacia de Campos. Também para este ano, estão previstos ainda a expansão do projeto de gás de Manati, na bacia de Camamu/Almada, na Bahia, além dos campos de gás de Lagosta, na Bacia de Santos; Canapu e Cumarupim, na Bacia do Espírito Santo; e Urucu, na Bacia do Solimões.
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