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A expansão das franquias nos postos de serviços
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A expansão das franquias nos postos de serviços
Redes que estão de olho nos postos

 

O conceito store-in-store (loja dentro de loja) é uma tendência cada vez mais forte nos postos de combustíveis. Não é de hoje que as lojas de conveniência agregam outras marcas no intuito de incrementar sua oferta de serviços, especialmente daqueles voltados à alimentação. Segundo estimativas do setor de franchising, a presença de uma segunda marca dentro de uma loja de conveniência pode ampliar suas vendas e faturamento em cerca de 30%, além de um negócio contribuir para alavancar o outro.


O interesse é recíproco. As principais redes franqueadoras já se deram conta de que o espaço dos postos de serviços é ideal para a instalação de determinadas franquias, especialmente as dos segmentos de alimentação e serviços (automotivos ou não). Aliás, cada vez mais as franqueadoras buscam pontos junto a outros varejistas, sejam postos, supermercados ou centros comerciais, em busca de sinergia dos negócios, circulação de pessoas, visibilidade do ponto, maior segurança, horário de funcionamento estendido e estacionamento facilitado.

Mas as vantagens do store-in-store não param no aumento do movimento. A parceria entre dois (ou mais) empreendimentos gera economia em manutenção, por exemplo, e em alguns casos até em mão-de-obra. Além disso, para o posto, o fato de ter uma marca forte e reconhecida pelo consumidor associada ao empreendimento valoriza o negócio.

Outro aspecto interessante é que as franquias são fórmulas já testadas, formatadas e com melhor perspectiva de serem bem sucedidas. Para o revendedor disposto a se tornar um franqueado, é uma oportunidade de renda extra. E para postos que têm área disponível para locação, não deixa de ser uma alternativa interessante.

A presença de vários empreendimentos com perfis diferentes no posto atende também a uma das principais demandas da vida moderna: a economia de tempo. Afinal, para o consumidor, nada melhor do que abastecer, comprar um item de emergência, fazer um lanche e talvez ainda deixar roupas na lavanderia. E é este conceito de posto verdadeiramente “de serviços” que vem crescendo com a ajuda das franquias. Trata-se, na verdade, de uma forma estratégica de o revendedor iniciar um empreendimento com modelos já testados, com riscos reduzidos. Assim, ele não tira o foco do seu negócio principal, que é a venda de combustíveis.

De acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 80% dos negócios independentes que são abertos no Brasil fecham num período de dez anos. Segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising), o número de franquias que encerram suas atividades nesse mesmo período é de 15%.

Em outras palavras, comprar uma franquia não elimina, mas com certeza reduz os riscos do negócio.

O crescimento do franchising

Os números do segmento de franquias apontam para um grande crescimento deste tipo de negócio. Em 2009 o setor registrou um aumento de 25% no volume de interessados no sistema, principalmente nos segmentos de acessórios pessoais e calçados; alimentação; e beleza, saúde e produtos naturais.

Além disso, quase todas as redes mantiveram seus planos de expansão. Segundo levantamento da ABF, houve um crescimento de 6% no número de unidades franqueadas em 2009.

As redes do interior de São Paulo, que abrange 645 municípios, respondem por 33% do total de franquias do Estado, com destaque para as regiões de Campinas (20%), São José do Rio Preto (17%) e cidades como Sorocaba, Jundiaí, Indaiatuba e São José dos Campos.

Em Minas Gerais, a expansão do número de lojas franqueadas em 2009 foi da ordem de 8,1%. Para 2010 e 2011, a média de crescimento para o Estado é de 3,9% ao ano. Uberlândia está entre as cidades que deverão receber maior número de franquias nos próximos anos. Minas é o terceiro Estado em número de negócios na área de franquias, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.

O Sul do país já é visto como uma das regiões promissoras para contribuir com o crescimento do setor nos próximos anos. Lá estão 13,1% de redes no Brasil, sendo 44% no Paraná, 31% em Santa Catarina e 25% no Rio Grande do Sul. Em faturamento, a região representa 9% de todo território brasileiro, sendo 80,1% no Paraná, 12,1% no Rio Grande do Sul e 7,8% em Santa Catarina.

Em 2009, o setor de franchising contabilizou 1.460 redes. Para 2010, a expectativa é de que este número chegue a 1.540. As redes de franquia são responsáveis por aproximadamente 648 mil postos de trabalho diretos e 2,592 milhões indiretos. Em 2009 foram abertos mais 45 mil novos postos de trabalho, totalizando 693 mil, segundo dados da ABF. Para 2010 a previsão é de mais 50 mil.

Cautela

Apesar de o mercado de franquias estar em franco crescimento e se mostrar como uma alternativa interessante para alavancar as vendas dos postos de serviços, é necessário muita cautela ao escolher um novo negócio ou um novo parceiro. A decisão requer uma análise atenta antes de investir neste segmento. E, após aderir, é necessário um envolvimento profundo, tanto com o negócio que será montado e com seu gerenciamento, quanto com a equipe da empresa franqueadora.

No entanto, é importante lembrar que embora as franquias pareçam um empreendimento promissor e garantido, nem sempre as taxas cobradas (royalties e a própria taxa de franquia) são viáveis – basta lembrar quantas lojas de conveniência enfrentam dificuldades por conta destas mesmas taxas, aliadas à baixa receita. Por isso é recomendável avaliar com cuidado o entorno do posto, observar o perfil de consumo da vizinhança e a própria concorrência antes de apostar em uma franquia. E verificar se o faturamento projetado pelo franqueador para o negócio de interesse atende às expectativas financeiras do empreendedor.

O chamado custo de ocupação, que inclui IPTU e taxas de aluguel (mesmo que o terreno seja próprio, é necessário estimar um valor de aluguel), não deve ultrapassar 12% da perspectiva de faturamento do negócio. Se o empreendedor comprometer mais do que isso apenas com a ocupação do espaço, muito provavelmente a franquia não é viável para o ponto em questão. Vale o mesmo se o espaço for locado para terceiros. Caso o locatário esteja comprometendo mais do que isso no aluguel, as chances de o negócio dar errado são grandes. E o posto também pode se prejudicar com isso, já que compartilhará com o franqueado a imagem negativa do negócio que deu errado.

Outro aspecto a ser analisado na hora de escolher uma franquia é o próprio funcionamento do sistema. Ao se tornar um franqueado, é necessário trabalhar dentro de padrões preestabelecidos e normas rígidas. Por isso, é necessário avaliar as expectativas perante o novo negócio, afinidades e conhecimento do mercado em que se pretende investir. Administrar um posto de combustíveis é uma tarefa bastante diferente do gerenciamento de uma franquia na área de alimentação, por exemplo.

Além da afinidade, é importante pesquisar a credibilidade da franquia de interesse. O franqueador deve fornecer uma relação de franqueados, e é recomendável que o interessado no empreendimento verifique com estas franquias diversos aspectos do negócio, desde faturamento (que precisa ser coerente com a proposta do franqueador), até a estrutura da empresa. O franqueador deve apresentar também seus manuais e os documentos jurídicos pertinentes, como a COF (Circular de Oferta de Franquias), com a minuta do contrato de franquia. Vale também se informar sobre como funciona o processo de treinamento, saber quais são as metas a serem alcançadas pelo franqueador, qual o apoio que ele dará e qual é o plano de expansão, entre outros.