| Ainda em compasso de espera |
Página 1 de 2 Entra ano, sai ano e o GNV segue em stand by, aguardando a atenção governamental para ganhar um impulso na matriz energética do país ou, pelo menos, torcendo para que declarações desastrosas ou ameaças de escassez do produto não minem a confiança do consumidor, como vem ocorrendo nos últimos anos. Os receios do consumidor foram tão grandes em 2009 que muitos trocaram o gás pelo etanol, apesar de o GNV ter se mostrado mais competitivo em todos os meses do ano, incluindo naqueles em que o biocombustível registrou picos de baixa. O GNV é mais vantajoso quando o preço do etanol (em R$/L), dividido pelo preço do GNV (em R$/m3), é igual ou maior a 0,54, relação que historicamente se mostra favorável ao gás. Diante de tamanho pessimismo, os postos tiveram que absorver maiores custos para não perder clientes. Os números mostram que, no ano passado, os preços médios praticados por distribuidoras e revendedores diminuíram 8% e 10%, respectivamente, apesar da alta nos preços apurada nas companhias de gás (Gráfico 7.1). Na verdade, a queda nas bombas só foi possível graças à redução de 15% na margem da revenda (Gráfico 7.2). Desde fevereiro de 2009, o preço médio do metro cúbico comercializado pelas distribuidoras e revendedores vem caindo sistematicamente, com exceção apenas para o último trimestre do ano. Nem mesmo os menores preços na bomba, no entanto, foram suficientes para garantir o nível de vendas. Pelo segundo ano consecutivo, houve decréscimo no volume total de vendas de gás para uso veicular: 10%, sendo comercializados 5.771 mil metros cúbicos por dia. ConversõesSem boas notícias à vista, o consumidor ficou reticente em adaptar seu veículo para uso de gás natural. No ano, as conversões totalizaram 43.770 unidades, uma queda de 42,7% em relação aos dados de 2008. O Estado do Rio de Janeiro se manteve na liderança das conversões, sendo, em dezembro, responsável por 45% da frota nacional convertida. O ano chegou ao fim com 1.775 postos de GNV em operação e, embora as companhias continuem investindo para levar gás a todas as regiões do país, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins e Maranhão seguem de fora do mercado do gás natural veicular, sem nenhum posto revendedor de GNV. No Amazonas, há apenas um ponto de venda. No total, o GNV é comercializado em 20 Estados brasileiros. O Sudeste é responsável por 69% do consumo nacional e concentra 63% dos postos que comercializam o produto. Analisando o período 2007-2009, a região Sul mostra aumento da participação de mercado dos postos de GNV instalados no Brasil, enquanto no Sudeste houve perda e as demais áreas permaneceram estáveis. Em relação ao market share por bandeira, a situação é bem semelhante à encontrada no segmento de combustíveis líquidos: as grandes distribuidoras detêm mais da metade das vendas de todo o segmento. No mundo, o GNV é utilizado nos cinco continentes, sendo o Brasil responsável por uma das maiores frotas do mundo, ao lado da Argentina (Tabela 7.3). No quesito preços, os maiores valores são praticados nos mercados brasileiro e europeu (Tabela 7.3), enquanto os menores são encontrados no Egito, Irã e Venezuela. Mercado em criseOs dados mostram que o mercado de gás natural como um todo não teve um bom ano em 2009. Em comparação com 2008, o volume de gás comercializado pelas concessionárias estaduais diminuiu 16% (Gráfico 7.3), refletindo a menor demanda industrial por conta da crise financeira internacional, a diminuição do consumo das termelétricas devido ao excesso de chuvas, o fraco desempenho do segmento automotivo e a menor competitividade em relação a outros energéticos. E assim já são dois anos consecutivos de redução na comercialização de gás no Brasil. O consumo de gás natural em termelétricas caiu 64% em 2009, fixando a demanda em 5,31 milhões de metros cúbicos diários, contra 14,94 milhões de metros cúbicos diários no ano anterior. Já o setor de co-geração registrou acréscimo de 7,59% na demanda. Respondendo à redução expressiva no consumo, as importações de gás boliviano e a oferta interna de gás nacional também diminuíram. Ao longo do ano, houve ainda aumento substancial da quantidade de gás queimado pela Petrobras, passando de uma média de 5,97 milhões de metros cúbicos por dia em 2008 para 9,38 milhões de metros cúbicos em 2009. A elevação, segundo fontes oficiais, deve-se principalmente à entrada em operação de quatro novas plataformas na Bacia de Campos, sem que já houvesse infraestrutura instalada para aproveitamento do gás associado à extração de petróleo. Apesar deste panorama, as companhias continuaram investindo para disponibilizar o gás natural em todas as regiões do país. A extensão de redes ultrapassou os 18 mil quilômetros e o número de clientes, em todos os segmentos de consumo do gás natural, já soma mais de 1,7 milhão em todo o Brasil. O crescimento acumulado do número de consumidores de 2008 para 2009 foi de 21,35%, enquanto que o de rede foi de 7,87%. Novo contrato de gásNo ano passado, a Petrobras resolveu mudar o modelo de contrato de comercialização, passando a oferecer quatro opções de contratação: firme inflexível, firme flexível, interruptível e preferencial. Além disso, a estatal passou a realizar leilões com o gás excedente, com regras diferenciadas de preço e prazo de entrega e tempo determinado de fornecimento. O objetivo é incentivar no país o desenvolvimento de um mercado secundário de gás natural, vendendo o excedente do produto em poder da empresa – aquele que sobra das negociações com as termelétricas - e levando ao consumidor final as diferenças de preço. Dentro deste novo modelo, quanto maior for o consumo pelas distribuidoras, menor o preço pago pela molécula. Só no primeiro leilão, o desconto na aquisição do gás foi de 36%. Em março de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei do Gás. Falta ainda, no entanto, a necessária regulamentação, apesar dos cinco anos de debates até que a Lei chegasse ao texto final, aprovado em dezembro de 2008. A nova legislação regulará o transporte, a exploração, a estocagem, o processamento e a comercialização do gás natural no país.
|
||||

GNV