Carta ao Presidente

paulo_miranda2009Prezado Amigo,

É com muita satisfação que a Fecombustíveis submete ao mercado o primeiro Relatório Anual da Revenda de Combustíveis contendo as informações mais relevantes da nossa indústria, em seus diferentes segmentos.

Infelizmente, as informações agregadas de 2008, no contexto de uma avassaladora crise internacional, não nos permitem, como seria desejável, projetar 2009 com um mínimo de segurança.

 O ano que termina, como se verá neste anuário, foi um período de recordes, mas esses recordes foram, em grande medida, atingidos graças aos níveis de atividade econômica observados nos primeiros nove meses de 2008. A economia começou acelerada e os elevados preços do petróleo estimularam toda a indústria, inclusive a sucro-alcooleira e de biocombustíveis em geral, já que os altos preços do petróleo tornam o álcool e os demais biocombustíveis alternativas cada vez mais atrativas.

Durante o período de forte elevação de preços, observou-se, inclusive, a prospecção em áreas que não seriam rentáveis se os preços se mantivessem persistentemente abaixo de 70 dólares. A queda do barril de petróleo para a casa dos 40 dólares lança, assim, dúvidas quanto à manutenção do nível de investimento do setor a curto prazo, inclusive em áreas estratégicas como o pré-sal. Embora tenha apresentado um ambicioso plano de investimento, as primeiras notícias e comentários de analistas já dão conta de uma provável redução nos investimentos da Petrobras, seja pela dificuldade de captar financiamento, seja pela própria baixa atratividade da produção em águas profundas, com preços internacionais tão rebaixados.

Mas a crise certamente há de passar, ainda que não necessariamente em 2009. Levando-se em consideração o ciclo de investimentos e pesquisas, seria muito importante que o país, através da Petrobras, se preparasse para o momento em que o sol voltar a brilhar.

No downstream, as perspectivas não são assim tão negras. O país não deve encolher, o que vai, no mínimo, manter o consumo interno, pelo menos nos combustíveis claros.

No diesel, o cenário é mais incerto, mas a queda decorrente da desaceleração econômica pode vir a ser compensada por um decréscimo de preços que estimule o consumo. Embora a Petrobras esteja mantendo elevados os preços, como forma de compensar o período em que não repassou os reajustes internacionais, a queda do diesel certamente virá, se os preços internacionais se mantiverem persistentemente em níveis tão baixos.

Uma das conclusões inegáveis em relação ao ano que termina diz respeito à estrutura no mercado de distribuição. O ano de 2008 termina com um mercado de distribuição excessivamente concentrado, com as fusões e aquisições que acabaram diminuindo o número de competidoras. Os efeitos dessa concentração são ainda incertos, mas a experiência recente demonstra que ela não contribuiu para um aumento da eficiência no setor de distribuição capaz de compensar a diminuição da concorrência.

O ano de 2009 chega, pois, cheio de inevitáveis incertezas. O objetivo deste anuário, nesse sentido, é de tentar oferecer informações acuradas, principalmente sobre o varejo no setor de combustíveis, para estudos e ensaios que permitam minimizar essas dúvidas, oferecendo uma massa expressiva de informações para quem se disponha a utilizá-las como instrumento de pesquisa e planejamento. Trata-se de uma contribuição do setor de revenda voltada às autoridades governamentais, aos pesquisadores, aos empresários de todos os elos da cadeia e a todos que estejam imbuídos da difícil missão de prospectar o futuro, pelas lentes do nosso passado recente.