Carta do Presidente

Ano de decisões

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É com grande satisfação que apresento o Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012. Quatro anos após sua primeira edição, o Relatório passou e vem passando por importantes modificações, buscando incorporar mais informações e se tornar cada vez mais acessível aos leitores. E, apesar do pouco tempo de existência, já se consolidou no mercado e se transformou em fonte de consulta para especialistas, pesquisadores e, nós mesmos, revendedores.

Depois de um ano tumultuado, como foi 2011, a análise crítica dos números nos permite enxergar com mais clareza o que de fato ocorreu no mercado. Não há dúvidas de que, em termos de vendas, registramos outro bom ano, com a demanda por combustíveis crescendo acima do PIB. Isso não significa, no entanto, que foi um período tranquilo para a revenda.

A disparada dos preços do etanol nas usinas encareceu, nas bombas, tanto o biocombustível quanto a gasolina. E o consumidor protestou, só que no lugar errado. Ao invés dos órgãos públicos cobrarem satisfação dos usineiros, fomos nós, revendedores, que precisamos ir a audiências públicas em Assembleias por todo o país ou dar explicações aos jornais. Fomos nós que enfrentamos a ira do consumidor, com protestos em nossos estabelecimentos, articulados via mídias sociais.

Demorou, mas o governo se deu conta daquilo que os números confirmam com extrema clareza: os postos foram os que menos reajustaram seus preços. Compramos mais caro, mas não conseguimos repassar toda a elevação de custo, o que resultou em menor crescimento de nossas margens. Beneficiou-se o consumidor, mas também ganharam outros elos da cadeia, que não necessariamente foram chamados pelos órgãos públicos para dar explicações sobre as elevações dos preços.

A crise, no entanto, serviu para que o governo finalmente tomasse a decisão de tratar o etanol comocommodity energética, e não agrícola, passando-o ao controle da ANP, como há muito pedia o setor.

O governo também analisou com atenção as críticas do setor ao programa de biodiesel, em relação a preços e qualidade, e resistiu à pressão para elevação imediata da mistura obrigatória no diesel. Ganhamos assim um tempo valioso para estudar mais o produto, tentar solucionar os problemas que ainda persistem, antes de seguir adiante com o Programa, evitando assim que sua imagem ficasse comprometida. Esse período de análise se torna ainda mais imprescindível quando lembramos que, agora em 2012, foi introduzido em todo o país o diesel de baixo teor de enxofre, o S50. E em janeiro de 2013, ele será substituído pelo S10. Ambos são combustíveis de altíssima qualidade e extremamente suscetíveis à contaminação. Sua interação com o biodiesel nacional ainda requer pesquisas e avaliações, que estão em andamento. Além disso, o S50 custa cerca de R$ 0,12 a mais que o diesel comum, e o S10 pode ser ainda mais caro. Como o preço do biodiesel já é cerca de 60% superior ao do diesel mineral, não precisa ser um ás na matemática para se ter uma dimensão do impacto de uma elevação da mistura de biodiesel no S10 sobre fretes e tarifas de transporte público.

Por fim, trazemos este ano um capítulo sobre o mercado norte-americano. Lá, o combustível é mais um gerador de tráfego, atraindo consumidores para os diversos serviços oferecidos e para a loja de conveniência, onde estão as maiores margens de lucros. Com as companhias de petróleo deixando o varejo, cada vez mais os postos por lá são operados por empresários independentes, num modelo bem parecido com o brasileiro. Porém, adotando o sistema de self-service, no qual o próprio consumidor abastece seu veículo, algo atualmente proibido no Brasil, mas que começa a ser repensado pelas autoridades, diante da escassez de mão de obra. Olhar o mercado norte-americano é sempre interessante para buscar inspiração e tendências, embora haja importantes peculiaridades no Brasil.

Para 2012, esperamos outro ano de vendas aquecidas, com desempenho acima do PIB. E muito debate pela frente, envolvendo especialmente a chegada do S10 e as perspectivas para o biodiesel. Discussões que, com certeza, definirão o perfil do mercado pelas próximas décadas.

Paulo Miranda Soares
Presidente da Fecombustíveis