Carta ao Presidente

Tempo de oportunidades

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As vendas aquecidas de combustíveis no Brasil têm proporcionado bônus e ônus para a revenda nacional. Se por um lado, o crescimento da renda e do nível de emprego permitiu que os brasileiros comprassem mais carros e, por tabela, consumissem mais combustíveis, por outro, a falta de infraestrutura do país e a chegada de novas tecnologias impõem desafios constantes aos postos.

Toda a cadeia de abastecimento precisou realizar importantes adaptações ao longo dos últimos anos para garantir que os consumidores não ficassem com seus tanques vazios. É bem verdade que a população, com raras exceções, de fato, não sentiu tais problemas. Alguns postos, entretanto, ficaram desabastecidos. E muitos outros se perguntam se devem comprar caminhão próprio ou instalar tanque adicional para garantir estoques mais elevados (e menor dependência das distribuidoras, especialmente se é bandeira branca), já que a perspectiva é de que o gargalo na produção não dê refresco pelo menos nos próximos dois anos, assumindo que a economia não passará por nenhum desaquecimento súbito.

Como empresário, apesar dos problemas de logística, enxergo um período de oportunidades para o nosso setor. A proximidade dos grandes eventos e os números recordes da indústria automobilística trazem perspectivas positivas para toda a economia, mas especialmente para o segmento de revenda.

Além disso, mudanças recentes no mercado, como a chegada dos veículos com motor Euro 5 e as discussões envolvendo a Lei do Descanso para os caminhoneiros, também geram oportunidades de novos negócios, caso da comercialização do Arla-32 ou da construção de estacionamentos como negócios independentes dos postos, gerando receitas extras.

A boa notícia é que todas essas oportunidades surgem exatamente quando o mercado encontra-se mais competitivo e formal, com índices de não conformidade em baixa e com os agentes reguladores dando passos importantes no aperfeiçoamento das normas existentes, como comprova a melhoria da especificação do biodiesel puro e a proposta de adoção de lacres sequenciais nos caminhões-tanques pelas distribuidoras.

Para aproveitar essas oportunidades, no entanto, é preciso estar bem informado, saber analisar os números para realizar os investimentos no momento certo.

E buscando contribuir com esse processo, é com imenso orgulho que lançamos o Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2013. Em sua quinta edição, o Relatório já se consolidou no mercado e é aguardado por muitos empresários e analistas, que desejam conferir o comportamento do segmento de combustíveis sob a perspectiva dos postos de serviços. Nesses cinco anos, testamos formas, incluímos alguns dados, deixamos de lado outros itens e ainda estamos em constante transformação, sempre atentos aos comentários dos nossos leitores para que cheguemos ao formato que mais possa ser útil à categoria. Na publicação, encontra-se uma análise crítica dos principais dados de 2012 no mercado de combustíveis e a tentativa de traçar alguns cenários para os próximos anos.

Relatório Anual é mais um serviço que a Fecombustíveis traz para você, companheiro revendedor, não com o objetivo de “melhorar o mercado”, mas sim dentro do espírito de difundir a informação e, assim, contribuir para a capacitação e a tomada de decisão em seus negócios.

Ser o empresário certo no momento certo não requer apenas sorte, como muitos imaginam, mas acima de tudo muito esforço, trabalho e capacitação; requer estar atento a todas as transformações ocorridas no mercado e às oportunidades que podem ser criadas; requer operar cada vez mais de perto o posto, para entender as necessidades dos clientes e evitar falhas operacionais; requer treinar bem uma equipe e valorizá-la; e requer também gostar do que se faz. Que trabalhemos sempre, então, para aproveitarmos ao máximo esse período de economia aquecida com o qual sempre sonhamos.

Paulo Miranda Soares
Presidente da Fecombustíveis