Carta do Presidente

Rumo à evolução

imagem_presidente2014Conforme era previsto, no ano de 2013, o consumo de combustíveis continuou aquecido, com resultado acima do PIB brasileiro, porém, os dados oficiais da ANP apresentaram um crescimento mais contido em comparação aos resultados do setor em  2012. Somente no ano passado, as vendas de combustíveis cresceram 5% em comparação a 2012, com isso, elevamos nossa participação no PIB para 5,68%. Apesar de 2013 demonstrar dados mais modestos, ainda somos um dos setores da economia que permanece em crescimento.

Podemos considerar um ano bom para o setor e os resultados só não foram melhores devido às circunstâncias econômicas. A indústria automobilística atingiu recorde de produção, porém, as vendas ficaram mais contidas, refletindo cautela do consumidor. Para este ano, as previsões  indicam um ano de menor consumo, já que o governo retirou o benefício de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e promoveu reajuste das alíquotas em janeiro deste ano. Porém, independente do brasileiro comprar ou não carros zero quilômetro, a frota de veículos novos e antigos nas ruas demanda abastecimento contínuo, o que é muito positivo não só para os empresários do setor, mas para a economia do país como um todo.

 O ano de 2013 trouxe muitas novidades para o mercado de combustíveis. Iniciamos o ano com o ingresso do diesel S10 no mercado em substituição ao S50. Passamos com louvor pelo período de transição, graças ao planejamento e preparo de toda a cadeia para lidar com este combustível com menor teor de enxofre e bastante suscetível à contaminação. Tivemos mais um ano discutindo o marco regulatório do biodiesel, especialmente o aumento do teor de biodiesel no diesel para 7%. De um lado, a produção pressiona o governo federal para aumentar o percentual da mistura e, de outro, montadoras de automóveis, distribuidoras e revendedores tendo um olhar mais cauteloso, devido ao impacto que esse aumento pode causar aos veículos e à infraestrutura. Devemos considerar o fato de que muitas usinas não estavam produzindo biodiesel, com menor teor de água de 200 ppm, sendo mais um fator impeditivo para o aumento da mistura em 2013. No caso da revenda, a preocupação é evitar os problemas já conhecidos desde o aumento de 5% do biodiesel no diesel, em 2010, como a formação de borras nos tanques e filtros e nos veículos causada pelo biocombustível.

Terminamos 2013 nos preparando para receber a nova gasolina com menor teor de enxofre. Estamos, atualmente, comercializando combustíveis fósseis com menores teores de enxofre, menos prejudiciais ao meio ambiente. Com isso, 2013 foi o último ano de circulação do diesel S1800, hoje, no mercado nacional só há dois tipos de diesel em comercialização: S10 e o S500.

2013 também colocou em evidência o mercado de etanol. O governo federal promoveu um pacote de estímulos para a produção com isenção do PIS/Cofins, aumento da elevação do teor da mistura do etanol anidro à gasolina de 20% para 25% e melhores condições nas linhas de financiamento do BNDES. A produção da cana-de-açúcar passou por um pequeno alívio em meio às turbulências dos últimos anos, ocasionadas pelas quebras de safra. Foi um ano de boas condições climáticas, safra recorde e diminuição da importação. Porém, apesar das circunstâncias favoráveis, o etanol ainda perde em competitividade para a gasolina, enquanto o governo federal mantiver a política de contenção de preços da Petrobras. Além disso, a crise do setor sucroenergético não diminuiu, o endividamento das usinas continua elevado, ocasionando a falência de muitos usineiros.

Particularmente, 2013 foi um ano em que vimos deslanchar normas importantíssimas para a revenda. Dentre as de maior destaque estão a Resolução 44/2013, que passou a exigir a obrigatoriedade da amostra-testemunha para as distribuidoras (modalidade FOB) e o uso do lacre numerado nos caminhões-tanque, e a Resolução 41/2013, que atualizou as regras para a atividade da revenda.

Com tantos assuntos em evidência, é com grande satisfação que apresento alguns dos destaques do Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2014, já em sua sexta edição.

O relatório tem o papel de levar a informação e mostrar os principais fatos e tendências sobre o mercado de combustíveis, a fim de oferecer respaldo a todos os envolvidos com o segmento e aprofundar seu conhecimento em relação ao setor. Espero que esse relatório sirva para ampliar os horizontes, elucidar os acontecimentos e mostrar novas oportunidades. Façam bom uso desse instrumento, seguindo sempre o caminho da evolução!

Paulo Miranda Soares
Presidente da Fecombustíveis