Canal da Revenda

O revendedor que deseja se manter líder em sua região sabe que não pode baixar a guarda em nenhum instante. É preciso estar atento às novidades do setor, ao que pode atrair o interesse do consumidor, gerar maior tráfego e, consequentemente, maior faturamento. Por isso, qualquer viagem, seja a negócios ou por simples turismo, sempre se transforma numa excelente oportunidade de buscar tendências. E isso vale tanto para o empresário de uma pequena cidade no interior do país que visita a capital de seu estado quanto para aqueles que vivem em metrópoles e viajam ao exterior.
Eu mantenho meus olhos sempre abertos às novidades e às boas idéias. E foi com esse espírito que visitei a NACs Show neste ano, nos Estados Unidos. A maior e mais importante feira do mundo na área de loja de conveniência impressiona principalmente pela diversidade de oferta. Lá os revendedores podem encontrar o que há de mais moderno em equipamentos para postos de serviços (menor parte), para lojas de conveniência e fornecedores dos mais diversos tipos de mercadorias.
É bem verdade que o mercado norte-americano encontra-se num estágio diferente do nosso em termos de desenvolvimento do canal conveniência, que lá já conquistou enorme espaço e ainda se consolida no Brasil, embora a tendência seja de expansão. Mesmo assim, pelos debates e visitas que fiz durante o evento, não há dúvidas que o food service é a atual menina dos olhos da conveniência, seja aqui, nos Estados Unidos ou na Europa. E não estou apenas falando do tradicional fast food, mas de todo tipo de alimentação: saladas, frutas, sopas, comida para levar para casa ou ser degustada na própria loja. Há estabelecimentos que funcionam, inclusive, como uma pequena feira, onde você pode comprar cenouras, beterrabas, tomates frescos. Tudo pela conveniência.
A agenda política também pontuou os debates durante o Nacs Show, em meio a eleições legislativas previstas para novembro nos Estados Unidos. Nesse sentido, o grande foco tem sido na luta para regulamentar a indústria de cartões. Uma batalha extremamente difícil que envolve a mobilização de consumidores e lojistas para enfrentar um oponente que, somente em 2009, gastou US$ 45 milhões em lobby, segundo a Nacs. Alguns rounds já foram ganhos, como a legislação aprovada nesse ano que dá mais poder ao banco central norte-americano para atuar na regulamentação das taxas cobradas pelas emissoras de cartões, mas muito ainda há por fazer, especialmente no segmento de cartões de crédito.
E desse problema entendemos muito bem! Mas, infelizmente, ele não é o único que nos aflige. Outros, bem peculiares ao nosso mercado, seguem tirando o sono da revenda brasileira. De um lado, enfrentamos o problema da volatilidade nos preços do etanol, que já começaram a subir no produtor e devem continuar assim durante a entressafra. E adivinhem de quem o consumidor cobra explicações?
No front do biodiesel, algumas pesquisas já comprovam que a oxidação do produto leve a distorções nas análises do percentual de biodiesel no diesel. Oxidação esta que pode ser causada pelo contato do produto com o ar presente no tanque ou mesmo pela reação com o cobre, utilizado em vários dos equipamentos em postos de combustíveis.
São problemas que consomem energia que poderia estar sendo canalizada apenas para dinamizar nosso negócio. Mas que precisamos enfrentar, para garantir um mercado mais saudável.