Canal da Revenda

Se existe coisa que afeta diretamente o desempenho econômico de um Posto Revendedor é o número de assaltos a que somos tão vulneráveis, pois ocorrem sistematicamente, todas as semanas. No final de cada mês, ao fecharmos nossa planilha, verificamos que, muitas vezes, um único assalto coloca as contas do posto no vermelho. Aquela empresa que deveria ter cumprido seu objetivo e ter alcançado lucro, acaba fechando o mês no prejuízo. Entendemos que a segurança de nossas empresas e de nossos funcionários é uma obrigação do Estado. Mas onde está a polícia, que demora pelo menos 30 minutos para chegar ao posto e nunca prende os bandidos? Viver em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte está cada dia mais difícil e essa onda de assaltos a postos se espalha como uma onda por todo o país.

Todos se preocupam com a segurança. Por que então os legisladores e o governo ainda insistem em manter e incentivar o Estatuto do Desarmamento, que impede o acesso do cidadão às armas de defesa pessoal? Em recente plebiscito sobre a comercialização de armas no Brasil, em torno de 66% dos entrevistados, ou dois em cada três cidadãos, foram favoráveis à comercialização de armas. Traduzindo: eles querem ter acesso legal às armas para sua própria defesa, pois o Estado não cumpre o seu dever – prefere a facilidade de simplesmente proibir o uso de armas pela população a ter que controlar seu uso pelos bandidos.

Todos querem acabar com a violência no trânsito, mas aí também o governo prefere o caminho mais fácil. Ao invés de fiscalizar com severidade, como é sua obrigação, e de punir o motorista que dirige embriagado preferiu partir para uma ação totalmente inócua, transferindo a toda a população a responsabilidade pela redução aos acidentes, ao proibir não apenas o consumo, mas também a venda de bebida alcoólica nas rodovias federais, como se o motorista que quiser beber e ir para a estrada não pudesse comprá-la em qualquer outro lugar ou mesmo transportá-la no próprio veículo. Se já reclamavam tanto da falta de policiamento nas rodovias, o que dizer a partir de agora, com a quase totalidade dos patrulheiros nas vias marginais fiscalizando a aplicando multas em restaurantes, lojas de conveniência, motéis, super e hipermercados ou em simples botequins nos quais o dono e seus clientes nunca tiveram acesso a um automóvel?  Ou seja: o motorista que bebeu em casa, no bar antes de entrar na rodovia ou mesmo no próprio carro pode andar à vontade em zigue-zague e fazer as maiores besteiras, pois os patrulheiros estarão ocupados aplicando multas fora da estrada e não vão incomodá-lo.

O que é mais grave neste assunto é que milhares de empresários brasileiros que estão quebrando por não poder comercializar bebidas estão pagando pela ineficiência do governo e de seus organismos em fiscalizar e punir motoristas que dirigem embriagados, estes sim, verdadeiros irresponsáveis e criminosos.

Se a moda do mais fácil e cômodo (para as autoridades) pegar, como nos exemplos acima, poderemos partir para outros campos. Muitos são contra o uso de motos, pois além de perigosas e provocarem muitos acidentes, freqüentemente são utilizadas em assaltos. Não seria o caso se usar a caneta novamente e, através de uma simples Medida Provisória, proibir o uso e a comercialização de motos no país? O Brasil vive também o drama dos desmatamentos e das grandes queimadas. Seria o caso do governo proibir a venda e uso de moto-serra, fósforo e isqueiro? Crianças brasileiras são queimadas e mutiladas quase todos os dias porque puxam uma panela que está no fogão. Seria o caso de também proibir a venda de fogão para reduzir o número de acidentes?

Com tantas coisas que provocam acidentes, mortes e mutilações em pessoas inocentes no país, por enquanto só temos o Estatuto do Desarmamento e a Medida Provisória que proíbe venda de bebidas nas rodovias. Até quando vamos continuar sendo o país das soluções mágicas e esdrúxulas? Tudo isso me faz lambrar aquela piada do cidadão que ao chegar em casa encontrou sua mulher com outro homem no sofá. Ele simplesmente vendeu o sofá para que ela não o traísse novamente. Será mesmo que vamos continuar caminhando para soluções deste nível?  Espero que não.

Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis.