Canal da Revenda

A revenda de combustíveis nacional obteve uma importante conquista no mês passado, fruto dos constantes esforços da Fecombustíveis e seus Sindicatos Filiados. Finalmente, mercado e ANP começam a reconhecer que há um problema significativo ocorrendo no mercado de diesel: a formação cada vez mais frequente de borras em tanques e filtros, incrementando custos operacionais e gerando desgaste com clientes.

Em julho, a ANP realizou o Seminário de Manuseio e Armazenagem de Óleo Diesel B (o que contém biodiesel), durante o qual pudemos perceber que o assunto já é alvo de debates avançados entre estudiosos, pesquisadores e empresas, no Brasil e no exterior.

Entre as medidas concretas anunciadas após o Seminário, está a divulgação de uma minuta do “Guia de Procedimentos para Manuseio e Armazenagem do Óleo Diesel B”. Além disso, já foi determinada a revisão da norma ABNT NBR 15512, que dispõe sobre os procedimentos para armazenagem, transporte, controle e qualidade do diesel e as misturas com biodiesel. Curioso destacar que, segundo a norma, o B2 e o B5 são considerados com as mesmas características do óleo diesel mineral, o que, em tese, não necessitaria de grandes modificações no padrão operacional. Algo que a realidade vem mostrando ser bem diferente. Não estão descartadas, inclusive, mudanças na especificação do biocombustível.

Não é novidade para nenhum revendedor que o armazenamento de diesel requer drenagens periódicas dos tanques para combater o acúmulo de água. No entanto, desde 2008, quando a mistura do biodiesel se tornou obrigatória, o acúmulo de água vem sendo dos males o menor. Na mesma proporção em que o percentual de biodiesel subiu, também aumentavam os resíduos acumulados nos filtros e tanques, sem falar no aspecto mais turvo do diesel em algumas regiões.

A partir deste ano, no entanto, a situação se tornou mais grave. Com a chegada do B5, os revendedores se viram obrigados a incrementar a troca de filtro, limpar mais vezes os tanques e descobrir como descartar aquela borra (escura e mal cheirosa) retirada dos equipamentos. Como se isso já não bastasse, começaram a pipocar reclamações de clientes, cujos veículos apresentaram defeitos e voltavam das concessionárias com laudos atribuindo o mau funcionamento a problemas decorrentes da qualidade do combustível. Ou seja, a revenda de diesel, que já sobrevive com margens apertadas, vem gastando mais com manutenção e ainda precisa reembolsar prejuízos a terceiros provocados por um combustível que está dentro da especificação da ANP.

Em 18 de novembro, a Fecombustíveis já havia enviado à ANP o ofício nº 046, reiterando a gravidade da situação e cobrando providências. De lá para cá, apresentamos fotos das borras, pesquisas com postos revendedores e mostramos problemas semelhantes em outros países. Contratamos, inclusive, Delfim Oliveira, engenheiro com mais de 30 anos com experiência no setor, que vem nos trazendo o embasamento técnico necessário para que possamos ser ouvidos.

O reconhecimento do problema já é um grande passo. Agora nossos esforços se concentrarão em fazer com que não se busque apenas a solução mais fácil e mais onerosa para a revenda. Enquanto o desfecho final não vem, é importante que o revendedor tenha consciência da necessidade de guardar a amostra-testemunha, que é atualmente a nossa única garantia de que o produto chegou com X características e determinado percentual de biodiesel, já que estamos recebendo produto no escuro, sem possibilidade de fazer qualquer teste no posto para saber se há realmente 5% de biodiesel.

Apoiamos o Programa de Biodiesel, mas é fundamental corrigir os problemas atuais antes de se pensar em qualquer elevação do percentual, até como forma de proteger a imagem do produto.