Canal da Revenda

O Ministério das Minas e Energia (MME) decidiu pelo adiamento do ingresso do B11, que representa a elevação de 11% do teor do biodiesel ao óleo diesel, que estava previsto para entrar em vigor em junho deste ano. A recomendação é de que novos ensaios sejam realizados, até que o mercado esteja 100% seguro.

A decisão foi publicada no Relatório de Consolidação dos Testes e Ensaios para Validação da Utilização de Biodiesel B15 em Motores e Veículos em 1º de março, que reuniu as conclusões dos testes efetuados pela indústria automotiva.

A principal questão que preocupa as montadoras é a estabilidade à oxidação. Além disso, outro problema é que a elevação do teor de biodiesel resultaria em maiores emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), comprometendo os limites esperados para a próxima fase do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), denominada P8.

Embora nem todos os testes tenham apresentado problemas, houve um acordo entre o MME e o setor automotivo estabelecendo que, em qualquer dificuldade apresentada, o cronograma seria adiado.

Vale destacar que uma das grandes preocupações é relativa aos veículos mais antigos, anteriores ao Euro 5, que respondem pela maior parte da frota. Diante de riscos como maior entupimento de filtros, aumento do consumo de combustível e desgaste dos componentes metálicos do motor, as montadoras se mostram receosas em dar o aval para a elevação do teor.

O próprio edital do leilão de biodiesel (L66, que deve acontecer no próximo dia 29 de março) já prevê somente o B10. As entidades que representam o setor de biodiesel (Abiove, Aprobio e Ubrabio) ainda estão tentando negociar com o ministério a inclusão do B11 no L66. Para o setor, o adiamento de um ponto percentual representaria um salto de 10% na demanda. O retrocesso, praticamente às vésperas do leilão, é visto pelas entidades como uma “alteração de regras em cima da hora”. Por essa razão, o setor ainda pretende negociar a possibilidade de manutenção do cronograma, até dia 28.

A Fecombustíveis participou da consulta pública do MME referente à adição obrigatória do biodiesel ao óleo diesel no ano passado. A  Federação destacou que a revenda tem problemas com a qualidade do diesel, a partir dos aumentos do biodiesel, já que o biocombustível é um produto altamente higroscópico, propicia a proliferação de bactérias e formação de borras nos tanques, causando entupimento dos filtros, além de trazer problemas com reclamações de clientes. A mudança de um ponto percentual na mistura traz como principal impacto para a revenda o aumento de custos,com a redução da periodicidade de procedimentos com manutenção e limpeza.  Além disso, a Fecombustíveis alerta para a necessidade de limpeza constante nos tanques dos caminhões, visto que os mesmos estão sujeitos às intempéries da natureza e variações de temperatura, propiciando a degradação do produto.