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Está (ainda) mais difícil importar diesel, cerveja e máquinas


A Receita Federal está realizando uma operação desde o fim de dezembro que vem afetando a importação de combustíveis (diesel), alimentos e bebidas (vinhos e cervejas) e máquinas industriais. Com isso, o custo de armazenagem está sendo elevado, podendo aumentar os preços repassados ao consumidor.

Desde o dia 24 de dezembro, auditores da Receita Federal adotaram a operação tartaruga, com o intuito de realizar uma fiscalização mais rigorosa de documentos e mercadorias. Com isso, a liberação de produtos nas alfândegas tem levado mais tempo.

A ação visa pressionar o governo para um aumento salarial da categoria. Mesmo com pouco tempo, a operação já vem gerando problemas, principalmente no setor de combustíveis, como afirmou o presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo.

Segundo ele, liberações que levavam um ou dois dias estão levando muito mais tempo. “Normalmente, quando os associados da Abicom registravam uma DI [Declaração de Importação], ela era liberada pela Receita no mesmo dia ou no dia seguinte. Agora, tenho associado com DIs registradas ainda em 2021”, declarou.

Alimentos e bebidas também sofrem com a operação tartaruga
O presidente da ABBA (Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas), Adilson Carvalhal Júnior, também relatou que a operação da Receita Federal tem afetado a importação de alimentos e bebidas.

Segundo Carvalhal Júnior, trazer os produtos para o Brasil está mais difícil, fazendo com que estes fiquem muito tempo na zona primária gerando maiores custos. Antes, a liberação levava normalmente duas ou três semanas. Porém, agora são entre cinco e sete semanas.

Importação de máquinas
Os mesmos problemas estão sendo enfrentados pelo comércio de máquinas, afirmou o presidente da Abimei (Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais), Paulo Castelo Branco.

“Há empresas do agronegócio que compraram máquinas no segundo semestre, para que chagassem agora. Elas investiram nos equipamentos para a colheita a partir de março e abril”, afirma Castelo Branco. Porém, com a ação dos auditores os prazos estão ameaçados.

Importação do diesel
Segundo o presidente-executivo da Abicom, o setor de importação é responsável por 25% do diesel consumido no Brasil. Ele também afirma que o custo diário de um navio que transporta 40 mil metros cúbicos de diesel é de US$ 22 mil.
Assim, quando este fica parado no porto, sem permissão para descarregar, a diária precisa ser bancada pelo importador. Dessa maneira, esse custo extra precisará ser repassado ao consumidor.

O consumidor será prejudicado?
Todas as associações foram enfáticas em afirmar que as dificuldades na importação de mercadorias, gerada pela operação da Receita Federal, podem acarretar em aumento nos preços dos produtos.

Segundo Carvalhal Júnior, da ABBA, o tempo elevado de armazenamento dos produtos importados pode fazer com que o preço seja aumentado em 10%, dependendo do produto. “Se o importador de alimentos e bebidas vai repassar tudo isso, é difícil saber, porque depende de sua estratégia de negócios“.

Castelo Branco, da Abimei, também afirma que a ação dos auditores pode encarecer o preço de máquinas industriais. “Se você precisa atender a demanda de mercado, mas não recebe a máquina, isso gera menos oferta que demanda. O preço sobe“, disse.

O Sindifisco Nacional (sindicato que representa os auditores fiscais da Receita Federal) afirmou que a operação padrão não atingirá produtos, como medicamentos e insumos para o setor de saúde, cargas vivas e alimentos perecíveis.

Porém, na última quinta-feira (20), a Abraidi (Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produto para Saúde) realizou uma enquete com seus associados.

Na ocasião, das 43 empresas participantes, 33 disseram ter enfrentado algum problema com a importação de produtos da área de saúde nas duas últimas semanas. Segundo as empresas da área da saúde que relataram os problemas, as dificuldades estão na liberação de produtos e na análise de documentos.

“Em função da pandemia, os auditores da Receita estavam liberando normalmente produtos para a área de saúde. Mas nossos associados têm percebido dificuldades”, declarou Bruno Bezerra, diretor-executivo da Abraidi.

Bezerra esclareceu que as dificuldades encontradas pelas empresas não é uma “situação grave a ponto de desabastecimento”, mas caso o movimento passe a ser uma greve ou se prolongue por muito tempo é possível que o setor enfrente maiores problemas.


Autor/Veículo: FDR
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