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PDE 2031 elege biogás e SAF como rotas para descarbonizar transportes

A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e o Programa Combustível do Futuro devem impulsionar novos investimentos e alavancar também novos combustíveis no Brasil, indica o Plano Decenal de Expansão de Energia 2031 (PDE 2031), publicado na segunda (24/1).

Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o documento traz estimativas para biogás, biometano, combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde e hidrogênio -- combustíveis que ainda precisam de marcos legais para ganhar competitividade e firmar um mercado no país.

No caso do biogás do setor sucroenergético, o PDE 2031 projeta uma maior inserção na matriz, tanto para geração elétrica, quanto para substituir o diesel.

A estimativa é que o potencial de produção em 2031 seja de 7,1 bilhões de m³ oriundos da vinhaça e da torta de filtro e de 5,7 bilhões de m³ das palhas e pontas da cana-de-açúcar.

Políticas públicas para viabilizar economicamente o bioquerosene de aviação também devem inserir o SAF na matriz nos próximos anos.

Em 2031, a participação de mercado do SAF é calculada em 1,4% (cerca de 130 mil m³) da demanda total de combustível de aviação, com linhas aéreas específicas adotando rotas tecnológicas certificadas.

A análise usou como premissa a introdução de uma unidade produtora deste biocombustível, consorciada com a produção de HVO (diesel verde), bionafta e GLP, de cerca de 400 mil metros cúbicos por ano, na média mundial, em uma razão de produção de 35% para o SAF.

O investimento necessário projetado seria da ordem de 100 milhões dólares ou 700 milhões de reais.

Mas atrair esses investimentos não será uma tarefa fácil.

"Sem um marco regulatório muito forte, principalmente agora com o que aconteceu com o biodiesel, ninguém vai investir", comenta Erasmo Carlos Battistella, presidente do ECB Group.

O grupo está investindo em uma biorrefinaria no Paraguai para fornecer SAF e diesel verde para Europa, Canadá e EUA.

Em entrevista à epbr, o executivo defende união do setor de biodiesel para construção de um diálogo em torno dos novos biocombustíveis.

"O Brasil vai precisar instituir esses combustíveis porque sem o HVO não tem SAF. E sem SAF não vai cumprir o Corsia. É uma questão de tempo. Se nós ficarmos perdendo tempo, não vamos atender o Corsia e, em 2027, vamos ter que trazer SAF importado do Paraguai, Europa, EUA".

Autor/Veículo: EPBR
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