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Pix alimenta mercado de tecnologia contra fraudes financeiras


Falta um mês para o Pix entrar em vigor, mas os criminosos já estão aplicando golpes com o nome do novo meio de pagamento, com o objetivo de roubar dados cadastrais. Com o risco de fraudes, empresas de tecnologia começaram a desenvolver ferramentas para combater crimes digitais no Pix antes mesmo de a ferramenta entrar em operação.
Só no primeiro dia de cadastramento das chaves Pix, a Kaspersky, especialista em segurança digital, identificou 30 domínios falsos que direcionavam o usuário para páginas de roubo de dados.
As armas usadas pelas empresas para combater golpes são o comportamento dos usuários registrado em seus celulares, histórico de transações financeiras e até geolocalização. É importante ressaltar que essas tecnologias são voltadas para as instituições financeiras: os clientes destas não terão de fazer novos cadastros ou baixar aplicativos.

Geolocalização
A InLoco, empresa de identidade digital, lançou o Incognia Pix, um serviço que usa biometria comportamental e geolocalização para identificar possíveis fraudes. Para isso, recorre a quatro métricas: verificação de endereço, integridade do dispositivo, localização confiável e verificação de transações.
— O Incognia não precisa dados pessoais e sensíveis do cliente para fazer as verificações de proteção. Usamos as informações comportamentais para chegar a resultados de confiabilidade do acesso ou não — explica André Ferraz, presidente-executivo da InLoco. — Nossa tecnologia é 30 vezes mais precisa que a de um GPS, por exemplo.
A plataforma avalia situações como locais aos quais a pessoa costuma ir e seu perfil de compras. Caso algo destoe do padrão, é gerado um alerta. Atualmente, a InLoco acompanha cerca de 70 milhões de smartphones.
Já a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) e a ClearSale, empresa de soluções antifraude, criaram, em parceria, uma plataforma para garantir a segurança e a autenticidade dos dados.
— Temos uma base histórica de dados com cerca de dois bilhões de transações. Devido a este volume de informação, quando algum dispositivo suspeito tenta criar uma conta Pix, ou quando dados de uma pessoa são usados fora de seu padrão cotidiano, temos como emitir alertas para bancos e fintechs — diz Bernardo Lustosa, presidente executivo da ClearSale.
Por exemplo, se um fraudador conseguir os números de CPF e telefone de alguém, ao tentar fazer um cadastro serão pedidos dados complementares, como CEP e endereço de e-mail.
— A solução que desenvolvemos vem reforçar os já tradicionais mecanismos de segurança existentes. Além disso, estamos oferecendo o serviço antes de o Pix entrar em vigor, com o objetivo de que as operações já ocorram dentro de ambientes protegidos — afirma Leonardo Demola Ribeiro, superintendente de negócios da CIP.
Segundo Lustosa, a plataforma tem cerca de cinco milhões de aparelhos identificados como frequentemente usados para fraudes.
Também apostando no cruzamento de uma série de dados, a Diebold Nixdorf desenvolveu um sistema chamado On-Line Fraud Detection (OFD), para proteger os usuários do Pix em tempo real.
O OFD faz uso de processos de checagem de dados, inteligência artificial e análise de perfil comportamental do cliente. Os dados dos cerca de 90 milhões de usuários da plataforma ficam hospedados na nuvem.
— Estamos falando de um ecossistema 100% conectado. Quando uma ameaça é detectada, todos os clientes são protegidos automaticamente, em tempo real — explica Marco Aurélio Rodrigues, diretor de software da Diebold do Brasil.

Concorrência:Fintechs lideram ranking de chaves Pix cadastradas
Sem citar nomes, a InLoco disse que já opera com dois dos maiores bancos do Brasil, além de meios de pagamentos e empresas de e-commerce. A ClearSale, por sua vez, disse estar em fase de conversas com dez empresas do setor financeiro.

Autor/Veículo: O Globo
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