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Preço da soja leva governo a se reunir com produtores

Depois do arroz, a preocupação do governo agora é com o preço do óleo de soja. No IPCA-15 de outubro, a alta do produto foi de 22,34%. As cotações da soja têm subido no mercado internacional. Ontem, em reunião com Jair Bolsonaro, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) informou que o cenário tende a se normalizar em janeiro, com a entrada da nova safra.

Depois da alta no preço do arroz, a preocupação do presidente Jair Bolsonaro agora é o valor do óleo de soja. Em reunião ontem com produtores do grão, em Brasília, o presidente pediu para que uma parcela da produção do grão não fosse vendida a outros países para não afetar o preço do óleo.

“Tem de ficar um pouquinho (de soja) no Brasil. Se não ficar, bagunça o preço do nosso óleo de soja aqui”, disse ao conversar com um trabalhador do setor de armazenagem de grãos e com um produtor rural, antes da reunião do Conselho de Governo, no Palácio da Alvorada.

O consumidor tem se deparado com a alta dos preços do óleo, o que tem pesado inclusive nos índices de inflação. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA15) de outubro, divulgado na semana passada pelo IBGE, a alta do óleo de soja foi de 22,34%.

As cotações da soja têm subido no mercado internacional por causa de diversos fatores. Entre eles, está principalmente a forte demanda da China, que utiliza a oleaginosa na produção de ração animal para suínos. “O preço tá bom também né?”, perguntou Bolsonaro ao grupo, para em seguida elogiar a ministra Tereza Cristina e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Segundo dados do Ministério da Economia, o Brasil exportou US$ 27,162 bilhões em soja de janeiro a setembro, 27,8% a mais do que no mesmo período do ano passado. Mais de 70% das vendas foram para a China. No mesmo período, as importações somaram US$ 160 milhões, alta de 314,7%, quase a totalidade vindo do Paraguai.

No encontro do presidente com o setor produtivo, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) explicou ao presidente que o aumento da demanda internacional neste ano foi um dos fatores que explicam a alta nos processados. A Abiove destacou o fato de o Brasil estar em período de entressafra de soja, mas disse que o cenário tende a ser normalizado em janeiro, quando uma nova safra começa a ser colhida.

Na reunião com Bolsonaro, a Abiove apresentou dados sobre o processamento de soja no Brasil, cujo volume em 2020 é recorde e deve totalizar 44,6 milhões de toneladas, com a produção de cerca de 9 milhões de toneladas de óleo de soja. Até o mês de setembro, o crescimento do volume processado de soja foi 8,3% maior em relação ao mesmo período de 2019. Os produtores de soja pediram ao governo incentivos para reutilizar áreas degradadas, financiamentos a juros mais baixos, período mais longo de carência e redução dos níveis de exigências.

O encontro com produtores de soja e de óleos vegetais ocorreu após Bolsonaro se irritar, no domingo, ao ser questionado por um homem sobre a alta do preço no arroz, outro item que tem pesado no bolso do consumidor. /

Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo
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